10 joias escondidas que você pode ter perdido em 2022

Um homem pinta incessantemente, como em um ato de fúria, em que cada pincelada corta a tela em um golpe rápido. Dali sai o retrato de uma pessoa de olhos fundos. Depois, o homem talha um número, afixa à pintura, e a joga ao mar. Não sabemos nada sobre ele, além de que parece viver isolado em um canto gelado do mundo. As pistas sobre seu passado e o motivo pelo qual joga seus quadros ao mar vão sendo deixadas lentamente, de modo discreto neste quadrinho mudo.

Ink trabalha abastecendo máquinas de café pela cidade. No decorrer da história, ele percebe que lojas que seriam concorrentes das máquinas estão fechando misteriosamente. Mas, este é apenas o ponto de partida desta história, que leva nos leva a refletir sobre escolhas, mudanças e potencial.

De um lado, aqueles que lutam por direitos iguais. Do outro, conservadores fanáticos. Duas passeatas, dois grupos que se chocam, iniciando uma verdadeira revolução racial após a Segunda Guerra Mundial. Em um país fictício, isolado da América do Sul, onde imigrantes fugidos do sul dos EUA, russos e brasileiros estão sempre em conflito, conhecemos três jovens e suas histórias. Esta é uma sátira inteligente do Brasil atual, mas que não deixa de também olhar para o passado.

Um adolescente trans chamado Ryo encontra uma fuga das expectativas de sua vida cotidiana no mundo da moda de rua, quando funda uma marca com seu colega de classe. Além de todas as questões da adolescência, o protagonista ainda lida com o fato de precisar se firmar para o mundo como um menino. O autor do mangá, Keito Gaku, também é um homem trans.

Inspirada nas Mil e Uma Noites, Isabel Greenberg conta a trajetória de duas mulheres, em meio a dezenas de outras histórias que se entrelaçam, todas ambientadas em um mundo marcado pela opressão feminina. Esta é uma trama que facilmente embala o leitor pela cadência da narrativa. Somos apresentados inicialmente à Terra Primeva e sua mitologia, até que conhecemos Cherry e sua aia Hero, que secretamente são um casal.

Nectarina é uma história íntima, ora doce, ora amarga, mas sempre intensamente relacionável. Em sua primeira graphic novel, Lee Lai aborda a complexidade dos vínculos, a saúde mental, a transidentidade e a intolerância. Seguimos o casal Ray e Bron, que durante alguns dias da semana é responsável por cuidar da pequena Nessie, sobrinha de Ray. Esses são momentos de fuga da realidade, mas tudo vai se despedaçando por conta de questões familiares mal resolvidas.

Como o próprio nome já pode adiantar, Relógio é uma reflexão sobre o tempo. O tic tac que marca segundos, minutos, horas e dias em uma conta incessante é motivo de ansiedade e até mesmo assombro, abordados nessa experimentação gráfica. O grande destaque da obra é a maneira como usa a sobreposição das páginas como ferramenta narrativa.

 

Nesta antologia, a autora francesa apresenta três contos de ficção científica que refletem sobre diferentes formas de opressão, a sociedade de consumo, as práticas distrutivas da humanidade e vários outros tópicos que podem ser considerados premonitórios. É importante dizer que essa é a primeira obra autoral de Montellier no Brasil, cujo trabalho foi extremamente relevante para os quadrinhos.

Ambientada em 1927, a história reimagina o primeiro encontro entre Mickey e Minnie. Cosey cria uma aventura com toque de mistério, bem tradicional, mas que não deixa de trazer elementos reflexivos. Um álbum moderno, que não deixa de reverenciar respeitosamente o passado.

Em 1996, Gärdenfors recebe uma ligação que o faz entrar em choque. Seu melhor amigo, Kalle, morre, aos 17 anos, de forma repentina, após contrair uma meningite contagiosa. A HQ é um livro de memórias, que recria momentos dessa amizade e de como o protagonista lidou, ou não lidou, com a partida de seu amigo. Sensível e sombrio, o quadrinho é pontuado por emoções à flor da pele. Temos aqui um típico exemplo de obra que usa de uma história particular para falar sobre um tema universal.

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