
A artista franco-iraniana Marjane Satrapi, autora de “Persépolis”, morreu nesta quinta-feira (4), aos 56 anos. A informação foi revelada pela família, em um comunicado à Agência France-Presse (AFP). “Marjane Satrapi morreu de tristeza pouco mais de um ano após a morte de Mattias Ripa, seu marido e o amor de sua vida”, diz a nota. Produtor, ator e roteirista, Ripa faleceu em 8 de abril de 2025.
Uma das personalidades mais influentes dos quadrinhos, Satrapi alcançou fama mundial ao publicar o clássico “Persépolis”, originalmente lançado na França entre 2000 e 2003 pela editora L’Association. A obra autobiográfica percorre a infância e juventude da artista, enquanto crescia no Irã marcado pelos impactos sociais da Revolução Islâmica e da Guerra Irã-Iraque.
Multipremiada, a HQ vendeu mais de 2 milhões de exemplares no mundo e foi traduzida para dezenas de idiomas. Em 2007, a obra foi adaptada para um filme animado pela própria autora, ao lado de Vincent Paronnaud, também conhecido como Winshluss. Além de ter vencido o Prêmio do Júri no Festival de Cannes em 2007, a animação foi indicada ao Oscar em 2008.
Satrapi estava afastada dos quadrinhos há alguns anos e era enfática ao afirmar que não voltaria a publicá-los, pois já não eram um desafio criativo. Seu foco voltou-se especialmente ao cinema, dirigindo filmes como “Frango com Ameixas”, que também adapta uma de suas HQs; “As Vozes”, estrelado por Ryan Reynolds; e “Radioativos” sobre a vida de Marie Curie, com Rosamunde Pike no papel da cientista.
No Brasil, suas obras foram publicadas pela Quadrinhos na Cia. Além de “Persépolis”, o selo do grupo Companhia das Letras lançou “Frango com Ameixas”, “Bordados” e mais recentemente, em 2024, “Mulher, Vida, Liberdade”, coletânea organizada por Marjane Satrapi que traz a colaboração de quadrinistas de diversas nacionalidades com histórias sobre a luta das mulheres iranianas por seus direitos.

Reações ao falecimento
A morte de Marjane Strapi foi lamentada por leitores, profissionais do meio, além de personalidades de diferentes áreas que prestaram homenagens à artista nas redes sociais. O presidente francês, Emmanuel Macron, disse em um comunicado oficial que Satrapi “carregou […] a causa do povo iraniano e a bandeira dos direitos das mulheres” e que transformou “uma infância iraniana em uma fábula universal”.
A autora de “Ousadas”, Pénélope Bagieu, publicou um texto em que destaca como a quadrinista foi decisiva para ela e muitas outras artistas mulheres. “Penso em todas nós para quem ela abriu uma porta, uma possibilidade”, escreveu. Outro destaque dos quadrinhos franceses, Riad Sattouf, de “O Árabe do Futuro”, ressaltou que “sua obra abriu um caminho que muita gente seguiu, inclusive eu”.
“Você mudou o mundo com quadrinhos e não se importava com quadrinhos. Perdi minha irmã gêmea”, reagiu Joann Sfar no Instagram.






