8 Quadrinhos para conhecer outras culturas

Em O Alcazar, Simon Lamouret nos apresenta a Índia a partir do canteiro de obras de um edifício em um bairro residencial de luxo. Acompanhando o cotidiano dos funcionários que trabalham ali, conhecemos mais sobre um país de uma desigualdade social absurda. Triste, real e muito dura, a HQ nos deixa com a consciência perturbada por saber que existe tal realidade. E mais, mesmo retratando um local distante do Brasil, sabemos que existem tantas semelhanças com o nosso país. Tão longe, mas ao mesmo tempo tão perto.

Ligeiro Amargor: uma História do Chá tem uma premissa convidativa e promete, logo nas primeiras páginas, desenvolver o nosso conhecimento sobre uma bebida que é universal. O usa a história de Adjoua, desde a infância, para trazer em paralelo perspectivas sobre a popularização do chá ao redor do mundo. A protagonista é uma mulher nascida na Costa do Marfim e que, quando adulta, percorre o mundo como fotógrafa. Em três situações e tempos distintos, vemos Adjoua tomar chá e conversar com outros personagens sobre a cultura do chá.

Após o almoço, sentadas ao redor do tradicional Samovar (recipiente usado nas casas iranianas para preparo de chá), mães, filhas, netas, sobrinhas, vizinhas e primas trazem à tona os amores, desamores e durezas presentes que costuram as histórias femininas. Sem dúvidas, esta é uma HQ de leitura prazerosa, que arranca gargalhadas, sem deixar de lado sua função de denúncia social. Mais do que tudo, Bordados é um quadrinho sobre a resistência das mulheres iranianas ao machismo, mesmo nos pequenos detalhes.

A dupla nos transporta em uma viagem pela cultura japonesa, ao som do instrumento que dá nome ao quadrinho. Em Shamisen, acompanhamos Haru, uma goze, nome dado a artistas cegas que ganhavam a vida fazendo apresentações musicais. Com seu shamisen, a protagonista (inspirada na famosa goze Haru Kobayashi) caminha por diversas regiões, se expressando através da música. Esse quadrinho é uma carta de amor ao Japão e sua cultura e uma forma muito envolvente de apresentar tudo isso para os leitores brasileiros.

A Odisseia de Hakim conta a trajetória de um refugiado sírio que precisou deixar tudo para trás. Nesta série de três partes, Toulmé nos relata, por meio da história de Hakim, desde a questão política e social na Síria, até as dificuldades que um refugiado enfrenta na busca de uma nova vida em outros países. Aqui, Fabien não nos poupa de realidades duras e cruéis. O leitor rapidamente se sente tocado pela jornada do protagonista, vibrando com cada vitória ou se comovendo com os desafios e derrotas.

Ao longo de dez histórias, Crônicas Ameríndias apresenta diferentes situações ambientadas entre os povos indígenas da região dos Grandes Lagos. Tramas que abordam, em sua maioria, ritos de passagem, feitos corajosos, envoltos em uma aura de misticismo. O tom sobrenatural torna o quadrinho muito envolvente. Conhecemos mais sobre a mitologia e as lendas dos povos nativos da América do Norte e, principalmente, sua relação intrínseca com a natureza.

Na Bahia e em Pernambuco, Roseira, Medalha e Engenho trilha os caminhos dos avós e pais de Jefferson Costa, percorrendo a paisagem árida do sertão e passando por vários marcos temporais. É difícil trazer um resumo dessa história sem entregar um pouco da experiência de leitura, afinal, tudo é como uma colcha de retalhos que o próprio leitor ajuda a costurar. O que podemos dizer é que aqui temos relatos reais de pessoas que conviveram com os mais diversos desafios, mas também com a alegria da vida simples no interior do nordeste.

O Fotógrafo explora uma região ainda pouco aprofundada nos quadrinhos, o Afeganistão. A trama é simples e acompanha Lefèvre, fotógrafo das missões dos Médicos Sem Fronteiras (MSF), no Afeganistão em 1986. Fotografando momentos curiosos e a vida privada da população local, Lefèvre mostra ao mundo uma espetacular história. Provocando uma experiência imersiva ao leitor, a série melhora a cada volume.

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