Sob pressão, Angoulême muda gestão após ameaças de boicote

Diretor da empresa 9e Art+ foi afastado e evento contará com nova gestão a partir de 2028

13 novembro 2025
Por Fora do Plástico

ATUALIZAÇÃO: Em um novo comunicado, revelado pelo portal francês Comics Blog, assinado em conjunto pela direção artística, comercial e técnica do Festival de Angoulême, foi anunciada a saída de Frank Bondoux da organização da edição de 2026 do festival. Embora a 9e Art+ permaneça como empresa gestora, Boundoux foi afastado do cargo de diretor-geral do evento. 

Foto: Mehdi Fedouach |AFP

Após críticas e ameaças de boicote de quadrinistas e de grandes editoras francesas, a direção do Festival de Angoulême será redefinida. A associação criadora do festival emitiu um comunicado nesta quinta-feira (13) para anunciar que fará um novo processo seletivo para escolha do futuro organizador do evento. A nota é um efeito das manifestações recentes contra a decisão anterior da associação, que definia uma gestão conjunta entre a 9e Art+, a criticada atual gestora do Festival de Angoulême, e a Cité internationale de la bande dessinée et de l’image.

No comunicado, é definida a criação de um comitê para acompanhar o novo processo seletivo. O grupo será composto por quatro membros da associação fundadora do festival, pelo presidente da Associação para o Desenvolvimento da Bande Dessinée em Angoulême (ADBDA), por três representantes dos financiadores públicos, dois representantes das editoras e dois representantes dos autores e autoras.

Foto: Shutterstock

O comitê será instalado no dia 18 de dezembro e a definição do novo responsável pela organização de Angoulême será divulgada em 18 de junho de 2026. A nova gestão executará o festival a partir de 2028. A nota confirma que a 9e Art+ permanecerá à frente do evento por duas edições (2026 e 2027), uma vez que ainda tem contrato vigente para esse período. 

Comandada por Franck Bondoux, a 9e Art+ tem sido alvo de controvérsias relacionadas à gestão interna, especialmente após a demissão de uma funcionária que denunciou um caso de assédio sexual durante a edição de 2024, além de acusações de falta de transparência, nepotismo e mercantilização do evento. O afastamento da empresa é a principal exigência da comunidade artística, que desde abril tem feito ameaças de boicote ao evento.

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