Novo Angoulême: Festival mudará de nome, identidade visual e data

Festival passa por reformulação após cancelamento da edição 2026, com nova gestão, identidade e retomada prevista para 2027.

12 janeiro 2026
Por Fora do Plástico
Foto: Eric Pollet | Hans Lucas

O Festival Internacional de Quadrinhos de Angoulême, na França, vive um momento de mudanças. Após o cancelamento da edição 2026 do evento e o afastamento da empresa 9Art+ da organização, o projeto de retomada do evento em 2027 se desenha. A nova fase se inicia na abertura do edital de propostas para uma nova gestora do festival, com inscrições até 12 de março sob supervisão da Associação para o Desenvolvimento dos Quadrinhos em Angoulême (ADBDA). Em abril, a nova empresa responsável pela organização será revelada.

O esboço do “novo Angoulême” será desenhado pela futura organizadora. O evento terá novo nome e nova identidade visual, uma vez que a marca Festival International de la Bande Dessinée (FIBD) é propriedade registrada pela da  9Art+. O mesmo deve acontecer com o gato Fauve, mascote do festival, apresentado ao público em 2007 nos traços de  Lewis Trondheim.

O gato Fauve, mascote do evento. | Foto: Mathias Benguigui / 9ᵉ Art+

Portanto, as premiações podem não usar o título “Fauve”, uma referência direta ao mascote, que também estampou os troféus até 2025. Outra novidade sobre a premiação é que haverá valores em dinheiro para os vencedores de cada categoria.

A imprensa francesa traz duas versões sobre a data do evento. A rádio France Info informa que o Festival de Angoulême será mantido no tradicional mês de janeiro, apesar de haver alguma flexibilidade para a edição de 2027, “dado o prazo mais curto para a sua organização“, nas palavras de David Caméo, presidente da Associação para o Desenvolvimento dos Quadrinhos em Angoulême (ADBDA). Já a revista Télérama revelou que há uma mobilização para reavaliar o período em que o evento é realizado, conhecido pelas baixas temperaturas.

O que levou ao cancelamento da edição 2026

Desde a última edição do festival, em janeiro de 2025, a 9e Art+ vem sendo alvo da comunidade artística. As críticas são relacionadas à gestão interna, especialmente após a demissão de uma funcionária que denunciou um caso de abuso sexual, ocorrido durante a edição de 2024, além de acusações de falta de transparência, nepotismo e mercantilização do evento. A repercussão das ameaças de boicote feitas por centenas de artistas também passaram a contar com o apoio de editoras como Dargaud, Dupuis, Le Lombard, Urban Comics, Casterman e Glénat.

Em 1º de dezembro, a 9e Art+ cancelou oficialmente a edição 2026, com a justificativa de que não seria possível realizar o evento de forma adequada. A alegação da empresa foi que os financiadores públicos decidiram “de forma unilateral não pagar os subsídios necessários para a realização do evento”, após cortes no financiamento.

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