
Após uma crise que culminou no cancelamento da edição de 2026, o Festival de Angoulême começará uma nova fase. Nesta terça-feira (21), a Associação para o Desenvolvimento dos Quadrinhos em Angoulême (ADBDA) anunciou a nova empresa responsável pela gestão do festival, ocupando o lugar da 9eArt+.
Depois da realização de um edital lançado em 13 de janeiro, a empresa independente de produção e eventos Morgane Groupe foi escolhida, com um projeto liderado por duas profissionais da área dos quadrinhos: Marie Parisot, ex-diretora de vendas e marketing da Dargaud, e Céline Bagot, produtora que possui experiência no próprio Festival de Angoulême, como funcionária da 9eArt+ entre 2016 e 2019, na área da comunicação. Bagot também é uma das fundadoras do Pop Women Festival, evento focado na valorização da criação artística feminina e na promoção da igualdade de gênero nas artes e na cultura.

De acordo com nota lançada pela ADBDA, a proposta da Morgane Groupe foi selecionada por atender “às expectativas de todo o setor em termos de exigência artística, diversidade estética dos quadrinhos, organização de premiações, alcance internacional e oferta de educação artística e cultural inclusiva para todos os públicos”. O texto destaca que a nova empresa dará atenção especial ao “papel central dos autores, à representação de todas as suas profissões e ao apoio profissional a jovens talentos”, uma das principais demandas que levaram à crise do festival em 2025.
O novo festival será realizado a partir de 2027, com duração de quatro a seis dias no primeiro trimestre do ano. A data exata ainda não está definida, sem a obrigação de ser na última semana de janeiro, como era tradição. Além disso, o evento precisará de um novo nome, uma vez que Festival International de la Bande Dessinée (FIBD) é propriedade registrada pela da 9eArt+.
Novos impasses
Embora o primeiro passo tenha sido dado, com a escolha de uma nova gestora, o evento permanece com questões em aberto. A 9eArt+ entrou em ação judicial, em conjunto com a Associação FIBD, que historicamente detém os direitos do evento, para impedir a criação de um “novo Angoulême”.
O processo tem como alvo a ADBDA e as autoridades públicas e pede uma indenização de 300 mil euros por “parasitismo” e “apropriação indevida”, além da suspensão imediata das iniciativas voltadas a criar um novo festival em 2027. Após dois adiamentos, uma audiência preliminar está marcada para o dia 20 de maio.





