18 janeiro 2023

Estranhos no Paraíso XXV

Por Fora do Plástico

De Terry Moore
228 páginas
Devir | 2022
Tradução: Giovana Bomentre

Voltar a Estranhos no Paraíso gera muitas expectativas. Quem passou por seis volumes ao lado de Katchoo e Francine (e tantos outros personagens) criou uma relação afetiva com elas. Já comentamos várias vezes por aqui, essa é uma série feita de seus personagens. Suas interações, conflitos e romances são o fio condutor dessa novela deliciosa, escrita por Terry Moore. É uma pena que, em Estranhos no Paraíso XXV, o autor tenha optado por deixar de lado essa característica tão marcante para focar nas aventuras mirabolantes que vez ou outra apareciam entre o nosso casal de protagonistas.

Katchoo e Francine estão casadas, têm duas filhas que mais parecem miniaturas de si mesmas e levam uma vida tranquila. Até que Tambi convence Katchoo de que uma antiga Garota Parker pode dissolver toda essa felicidade. O que começa com essa ameaça, se desenvolve para uma teoria que acrescenta à trama bombas nucleares, um pergaminho com uma equação escrita por Cleópatra e algumas viagens mundo afora.


É verdade que Estranhos no Paraíso sempre flertou com subtramas um tanto caóticas, mas nesta edição temos uma overdose. A atenção é focada em Katchoo e as situações que precisa resolver para proteger sua família, enquanto Francine pouco aparece. Quando caminha para o final, Estranhos no Paraíso XXV passa a reunir personagens de outros quadrinhos escritos por Terry Moore, como Echo, Rachel Rising e Motor Girl.

Para nós, que ainda não temos contato com essas obras, a adição dessas personagens é pouco impactante e pode parecer confusa. A explicação é que a HQ funciona como uma preparação para a sequência que Moore viria a escrever: Five Years, que começou a ser publicada em 2019. Mesmo assim, o quadrinho ainda funciona dentro do universo de Estranhos no Paraíso e pode ser uma leitura concluída ali.

Publicado pela Devir, Estranhos no Paraíso XXV não nos trouxe a deliciosa sensação da novelesca série original, mas ainda nos fez reviver alguns bons momentos. É uma obra bem ritmada, com desenhos bonitos e que poderia até ser uma aventura mais divertida, se nunca tivéssemos visto o auge de Estranhos no Paraíso.

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