[Especial]

Tai Editora explica atrasos em suas publicações financiadas via Catarse

Editora teve lançamentos previstos para 2025 afetados por questões financeiras e de saúde.

3 fevereiro 2026
Por Fora do Plástico


Desde o lançamento de “Crônicas do Tempo Médio”, entre o fim de 2024 e o início de 2025, a Tai Editora tem sofrido com atrasos na publicação de suas obras financiadas via Catarse. De acordo com a própria Tai, os títulos que enfrentam maior tempo de espera são “Ramba”, “Contos Proibidos”, “Crazy Jack”, a reimpressão dos volumes 3, 4, 10 e 11 da Coleção “Necron”, a “Déjà Vu Magazine” e o livro “Quando a Escuridão nos Ama”.

Segundo Rodrigo Viegas, um dos responsáveis pela editora gaúcha, os atrasos são resultado de uma combinação de fatores estruturais e circunstanciais. “O mercado de nicho exige um equilíbrio financeiro muito delicado e, por vezes, priorizamos o compromisso editorial com determinadas obras em vez de uma margem segura de lucro”, afirma ao Fora do Plástico.

A editora afirma que tentou manter a operação com recursos do patrimônio pessoal e financiamentos bancários, mas enfrentou eventos imprevistos ao longo de 2024. As enchentes no Rio Grande do Sul impactaram a logística e o faturamento da empresa, ao mesmo tempo em que houve o agravamento do quadro de saúde de Taína Lauck, também responsável pela Tai.

Taína tem uma doença autoimune, de tratamento complexo e alto custo. De acordo com Rodrigo Viegas, essas condições levaram à utilização das reservas financeiras da editora para garantir os cuidados médicos necessários. O quadro clínico, que tem impacto na mobilidade, resultou no afastamento de Taína das atividades no fim de 2025. Desde então, Rodrigo assumiu integralmente a gestão da editora e a condução das ações operacionais.

Obras publicadas pela Tai Editora | Divulgação.

Apesar do cenário, a Tai afirma que possui soluções em andamento para viabilizar a entrega de todos os títulos pendentes. “Não estou tentando nos isentar de responsabilidade. Os atrasos são uma realidade dura que enfrentamos diariamente, trabalhando em cada caso para resolver as pendências”, diz Rodrigo.

O planejamento atual prevê uma retomada gradual das atividades. Embora a editora não pretenda permanecer mais um ano sem lançamentos, a prioridade imediata é transformar o estoque existente em liquidez para possibilitar as impressões pendentes. Outra alternativa que será adotada é a publicação conjunta, por meio de parcerias com outras editoras. Há negociações avançadas nesse sentido, porém a editora ainda não pode revelar detalhes.

A Tai também afirma estar promovendo uma redução significativa de seus custos fixos, incluindo a migração da sede física para um modelo operacional mais enxuto. Sem possibilidade de novos aportes externos, a editora passou a operar exclusivamente com seu próprio fluxo de caixa.

Imagem de “Crônicas do Tempo Médio”, último quadrinho publicado pela Tai, até o momento. | Divulgação

Além dos fatores imprevistos, houve falhas internas de planejamento financeiro, reconhece Rodrigo. “Em alguns momentos, deixamos o entusiasmo se sobrepor ao rigor financeiro necessário. Hoje entendemos que, para uma estrutura do nosso tamanho, cada projeto precisa ter saúde financeira isolada e rigorosa”, analisa. Uma eventual “nova fase” será pautada pela auto-sustentabilidade e pela segurança dos apoiadores, com a entrega das obras pendentes como prioridade antes do início de novos ciclos de publicação.

A Tai informa que, embora ainda não consiga definir prazos exatos para o lançamento das obras em atraso, a editora tem realizado reembolsos e oferecido a troca dos apoios por outros títulos disponíveis em catálogo desde o ano passado. O contato com a editora pode ser feito pelo e-mail [email protected].

Carrinho atualizado