
O maior evento exclusivamente dedicado aos quadrinhos da América Latina, o Festival Internacional de Quadrinhos de Belo Horizonte (FIQ BH) acontece nesta semana, de quarta-feira (4) a domingo (8), no Minascentro. A 13ª edição do festival recebe cerca de 400 artistas brasileiros e internacionais, com uma programação que conta com lançamentos, sessões de autógrafos, exposições, oficinas, debates e a tradicional feira de quadrinhos.
Uma realização da Prefeitura de Belo Horizonte por meio da Fundação Municipal de Cultura, em parceria com o Instituto Periférico, o evento tem entrada gratuita. Confira alguns dos destaques desta edição:
Convidados brasileiros que estreiam no FIQ
O FIQ terá pela primeira vez a presença dos vencedores do Eisner Bilquis Evely e Fido Nesti. Uma das quadrinistas brasileiras de maior projeção internacional, Bilquis assina os desenhos de “Supergirl: Mulher do Amanhã” e “Helen de Wyndhorn”, ao lado do colorista Matheus Lopes, que também participa do evento. A dupla estará presente em sessões de autógrafos e em duas mesas de debate: “Arquitetando Mundos: O exercício da imaginação e a criação nos quadrinhos”, na sexta-feira, e “A linguagem das cores”, no sábado.
Já Fido Nesti foi reconhecido no exterior por sua adaptação de “1984”, clássico de George Orwell. Publicada em 18 países, a obra atingiu a marca de 500 mil exemplares vendidos globalmente, de acordo com a Companhia das Letras, colocando a HQ em um patamar de vendas inédito para um quadrinho brasileiro. O artista, que lançou neste ano seu mais novo título, “O Elemento”, participará do debate “E o prêmio vai para… O que muda quando uma HQ é premiada” e de sessões de autógrafos.
Outro nome de relevância nacional que estreia no FIQ é Luckas Iohanathan, que acaba de vencer o Prêmio Jabuti por “Ouroboros”. O quadrinista já havia vencido a premiação em 2024 por “Como Pedra”, além de ter recebido uma indicação ao Angoulême, em 2025. Iohanathan estará na mesa 201, no espaço dedicado aos artistas no evento, e também marca presença no debate “E o prêmio vai para… O que muda quando uma HQ é premiada”.
Quadrinistas estrangeiros, de inéditos a consagrados no Brasil
A lista de convidados internacionais do FIQ conta com uma variedade de nomes vindos de sete países. Com 11 obras publicadas no Brasil pela editora Nemo, o francês Fabien Toulmé retorna ao festival para uma agenda que conta com sessões de autógrafos e uma mesa de debate dedicada à sua trajetória. Autor de obras como “Não Era Você Que Eu Esperava”, “A Odisseia de Hakim” e da série “Reflexos do Mundo”, o artista nutre uma relação próxima com o Brasil, onde viveu por anos.
A conexão com o Brasil é um ponto em comum com outros convidados, como é o caso da franco-brasileira Clara Chotil, autora de “Ópera Negra”, que acaba de lançar pela Veneta “Tekoha”, HQ que trata da resistência dos indígenas Guarani Kaiowá no Mato Grosso. Também integra a programação a argentina Nacha Vollenweider, de ascendência alemã, que viveu no Brasil. Inédita por aqui, a artista é autora de “Ruta 22”, “Notas al pie” e “Volver”.
Da Itália, o FIQ recebe o desenhista de “Rivais Cósmicos”, Lorenzo De Felici, também responsável pela arte de “Oblivion Song”. A Espanha estará presente no evento com o vencedor do Premio Nacional del Cómic, Borja González, autor de “Histórias Fantasmas”, obra lançada pela DarkSide Books. Há ainda Nati Chuleta, quadrinista chilena convidada da editora Miguilim, e a tcheca Štěpánka Jislová, autora de “Do Coração” e de “Sem Cabelo”, quadrinho sobre alopecia que será lançado pela Risco no evento.

Exposições
A 13ª edição do FIQ conta com três exposições, duas delas dedicadas aos homenageados, a pesquisadora Sonia Luyten e o quadrinista Marcelo Lelis. Por meio delas, os visitantes poderão conhecer e se aprofundar nos trabalhos dos profissionais.
Além disso, haverá a exposição “Anfang/Ausgang”, uma parceria entre o evento e o Goethe-Institut, baseada na obra homônima de Rapha Pinheiro, publicada pela Conrad.
Presença de editores, artistas e livrarias
Além de ter duas alas repletas de quadrinistas de 25 estados do país, o FIQ contará com estandes de livrarias e lojas de quadrinhos, como Leitura, Livraria da Rua e Loja Monstra, e de editoras, como Nemo, Taverna do Rei, Risco e Trem Fantasma. Neste ano há ainda a presença de uma editora estrangeira, a argentina Hotel de Las Ideas, que dividirá um espaço com a Lote42 e a Banca Tatuí.
Além de ocuparem a ala dos artistas, quadrinistas do Norte também terão um espaço próprio, o estande Quadrinhos da Amazônia. Esta é a edição com o maior número de participantes da região, 35 ao todo, vindos do Amazonas, Pará, Amapá, Tocantins, Roraima e Rondônia.

Dia do Quadrinho Grátis
Pela primeira vez, o FIQ receberá o Dia do Quadrinho Grátis, ação idealizada pela editora Devir, que distribui amostras de HQs. A editora participa com três publicações: “Detetive Bundinha”, o recém-anunciado “Dark Ride” e “Frau Faust”, que terá o primeiro volume publicado em novembro, com a participação da mangaká na Virada Nerd.
Também fazem parte da ação a Mythos, com “Fantasma – Volume Zero”; a estreante Editora Orelha, com “Man’s Best”; a Comix Zone, com “Birthright”, que terá seu primeiro encadernado lançado também em novembro; e a Taverna do Rei, com “Bass Cat”, “Dark Spaces – Boas Ações” e “Forma ou Consciência – Volume 1”. O Dia do Dia do Quadrinho Grátis acontece somente no sábado (7).
24 horas de Quadrinhos
Outra novidade desta edição é a realização da maratona “24 horas de quadrinhos”. Idealizado pela INKO, o projeto reunirá artistas em uma sala de vidro durante o evento para produzirem um quadrinho de 24 páginas em 24 horas. Quem não estiver no festival poderá acompanhar os quadrinistas trabalhando ao vivo no canal do YouTube da escola-estúdio. A ação começa às 14h do sábado (7) e segue até as 14h do dia seguinte.
A ideia da maratona é aproximar o público dos bastidores da produção de um quadrinho, tornando público o processo e convidando todos a acompanhar o desafio. O material produzido também não ficará restrito aos dias do festival: a experiência será registrada para a produção de um documentário e de um livro-coletânea, previstos para 2027, que reunirão os resultados da maratona e a memória do processo de criação.
É possível conferir a programação completa do FIQ BH 2026 no site do evento.





