1 outubro 2022

Supergirl: Mulher Do Amanhã

Por Fora do Plástico

De Tom King, Bilquis Evely e Mat Lopes
208 páginas
Panini | 2022
Tradução: Erick Garcia

Supergirl: Mulher Do Amanhã reúne algumas das características dos trabalhos anteriores de Tom King, embora, desta vez, ele siga um caminho distinto. Embarcamos ao lado de King, a desenhista e o colorista brasileiros Bilquis Evely e Mat Lopes, em uma space opera narrada em tom de prosa.

Este é um quadrinho da Supergirl… Ou pelo menos é sobre Kara Zor-El. Isso porque a narração é da jovem alienígena Ruthye, que perde o pai, assassinado pelo vilanesco Krem. É em busca de vingança, que Ruthye se depara com a Supergirl. Logo, as duas passam a viajar juntas pelo espaço, para encontrar Krem, agora parte de um bando de criminosos. Ao longo das 8 edições que compõem o encadernado, passeamos por novos mundos e subplots são criados, a cada parada.

Ruthye não conhecia Kara, por isso, acompanhar a narrativa através da ótica de alguém que está descobrindo quem é a Supergirl é interessantíssimo. Há um tom lírico em alguns acontecimentos e, sobretudo, no texto. O modo como a narradora conta essa história reflete também sua própria maneira de falar. Ruthye é polida, detalhista e verborrágica. Trazer esse traço da personalidade tagarela da personagem é enriquecedor, mas a quantidade de recordatórios longos e inchados de palavras reduz o ritmo da trama e pode torná-la cansativa.

Em algumas passagens, a HQ vai da aventura ao drama, afinal, é isso que se espera de King. Ele explora o sentimento de solidão de Kara e as memórias da destruição de Krypton. Já no caso de Ruthye, há uma discussão mais moral: ela é uma criança que deseja que o homem que matou seu pai pague com a mesma moeda.

A construção dos mundos pelos quais as personagens passam remete a Star Wars, Star Trek, ou Saga. Tudo é brilhantemente desenhado por Bilquis Evely. Ela explora a versatilidade dos visuais que a obra pede e consegue imprimir sentimentos nas mais diferentes criaturas. Destaque também para o belo casamento entre arte e cores, ressaltando os cenários.

Mesmo que não tenha equilibrado nosso interesse durante todo o encadernado, Supergirl tem passagens de uma delicadeza ímpar, além de uma conclusão que nos deixa com aquele sorriso esperto no canto do rosto.

 

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