Quadrinho que revisita a memória asteca vence premiação na França

Com 160 páginas, “Les sentiers d’Anahuac” foi publicado em outubro pela Delcourt.

15 dezembro 2025
Por Fora do Plástico

A HQ “Les sentiers d’Anahuac”, de Jean Dytar e Romain Bertrand, foi a grande vencedora do Grand Prix de la Critique ACBD 2026, uma das premiações mais prestigiadas do mercado europeu de quadrinhos. O anúncio foi feito no início de dezembro, após a obra ser escolhida entre os cinco finalistas.

Ambientada no século XVI, o quadrinho acompanha a chegada do frade franciscano Bernardino de Sahagún ao México e sua reação à destruição sistemática da cultura indígena promovida pelos conquistadores. Em resposta, ele inicia a elaboração de um ambicioso registro da memória asteca, contando com a ajuda do jovem indígena Antonio Valeriano, nascido após a Conquista, que ao longo do processo passa a redescobrir sua própria herança cultural.

Com 160 páginas, “Les sentiers d’Anahuac” foi publicado em outubro pela Delcourt. A obra é escrita e desenhada por Dytar, em colaboração com o historiador Romain Bertrand. Ainda inédita no Brasil, a HQ se soma a outros trabalhos de destaque do autor, como “Florida”, “Les Tableaux de l’ombre”, título que integra a coleção do Louvre, e “Les Illuminés”.

A seleção final do Grand Prix de la Critique ACBD 2026 reuniu os títulos: “Une obsession”, de Nine Antico (Dargaud); “Sangliers”, de Lisa Blumen (L’employé.e du Moi);“Silent Jenny”, de Mathieu Bablet (Rue de Sèvres); e “Soli Deo Gloria”, de Jean-Christophe Deveney e Edouard Cour (Dupuis).

Considerado o segundo prêmio mais relevante dos quadrinhos na França, o Grand Prix de la Critique ganha ainda mais prestígio neste ano. Tradicionalmente atrás apenas do Fauve d’Or de Melhor Álbum, concedido no Festival de Angoulême, o prêmio, atribuído desde 1984 pela Associação de Críticos e Jornalistas de Quadrinhos da França (ACBD), assume um papel central na temporada de premiações de 2026, diante do cancelamento do Festival de Angoulême do próximo ano.

Confira os vencedores das últimas 10 edições do prêmio:

2015 – Degenerado, de Chloé Cruchaudet (Publicado no Brasil pela Nemo)
2016 – Zaï zaï zaï zaï, de Fabcaro (Inédito no Brasil)
2017 – Les voyages d’Ulysse, de Emmanuel Lepage, René Follet e Sophie Michel (Inédito no Brasil)
2018 – A Terra dos Filhos, de Gipi (Publicado no Brasil pela Veneta)
2019 – Minha Coisa Favorita é Monstro, Vol.1, de Emil Ferris (Publicado no Brasil pela Quadrinhos na Cia.)
2020 – Preferência do Sistema, de Ugo Bienvenu (Publicado no Brasil pela Comix Zone)
2021 – Pele de Homem, de Zanzim e Hubert (Publicado no Brasil pela Nemo)
2022 – René·e aux bois dormants, de Elene Usdin (Inédito no Brasil)
2023 – La couleur des choses, de Martin Panchaud (Inédito no Brasil)
2024 – O Céu na Cabeça, de Antonio Altarriba, Sergio Garcia Sanchez e Lola Moral (Publicado no Brasil pela Comix Zone)
2025 – Duas Moças Nuas, de Lux (Publicado no Brasil pela Conrad)

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