Nota 3.5

Os Olhos Perdidos

23 dezembro 2025

De Diego Agrimbau e Juan Manuel Tumburús
88 páginas
DarkSide Books | 2025
Tradução: Diogo Cardoso

Os horrores da guerra podem não estar apenas no campo de batalha. É o que evidencia Os Olhos Perdidos, quadrinho da dupla argentina Diego Agrimbau e Juan Manuel Tumburús. Sem poupar o leitor de cenas grotescas, os autores criam uma história que mistura infância, bonecas assustadoras e um cenário desolador, em meio à Primeira Guerra.

O ano é 1917. Em um orfanato que havia sido tomado pelo tifo, três crianças se escondem dos bombardeios. Os irmãos Ofelia e Otto vivem sob o domínio de Maurice, que os obriga a atrair soldados para o local. O pequeno Otto encontra algum conforto para essa realidade hostil em uma coleção de bonecas sem olhos. Apesar de bizarros, os brinquedos são inofensivos perto daquilo que o terrível Maurice é capaz de fazer.

Com essa premissa que subverte a imagem imaculada da infância, Agrimbau e Tumburús nos convidam para uma história de horror que aproveita muito bem o cenário construído. Um horror que nasce da realidade apresentada e se expande no aspecto sobrenatural da trama. No entanto, a execução fica aquém do conceito. As cerca de 80 páginas não são suficientes para nos tornar próximos dos irmãos protagonistas e a outra criança, Maurice, parece bastante unidimensional.

A arte de Tumburús é realista e trabalha muito bem a iluminação das cenas para causar impacto. O desenhista é capaz de apresentar imagens grotescas, que podem revirar o estômago dos leitores mais sensíveis. Outro destaque vai para os olhos, seja nos globos vazios das bonecas, seja no olhar desesperançoso e cansado de Otto e Ofelia.

Publicado pela DarkSide Books, Os Olhos Perdidos encara um período histórico específico para refletir sobre a presença da infância em contextos brutais. Porém, mesmo com bons momentos, o quadrinho dilui seu potencial e acaba se tornando uma história de terror que não chega a ser comum, mas tampouco alcança a força perturbadora de sua premissa.

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