De Alessandro Tota e Pierre Van Hove
176 páginas
HQueria | 2025
Tradução: André Caramuru
O Ladrão de Livros, de Alessandro Tota e Pierre Van Hove, mergulha na cena literária da Paris dos anos 1950 com um olhar ácido e tragicômico. Acompanhamos Daniel Brodin, estudante de Direito e poeta aspirante que encontra nos livros tanto refúgio quanto tentação.
Tudo muda quando, num concurso de poesia, ele resolve recitar como se fosse seu um poema italiano pouco conhecido, o que o transforma instantaneamente em promessa literária. A partir desse episódio, Tota e Van Hove constroem uma narrativa guiada por sarcasmo e ironia, expondo um ecossistema artístico repleto de ambição, bajulação e gente disposta a fazer de tudo pelo reconhecimento.
Paralelamente, o protagonista cruza com uma Paris desconhecida, habitada por uma juventude rebelde que despreza tanto o meio literário quanto o próprio sistema. Esse lado narrativo, com toques noir, amplia a obra e coloca Daniel diante de escolhas. Dividido entre os dois círculos, ele tenta habitar ambos ao mesmo tempo, o que naturalmente desencadeia uma série de situações.
Com uma arte rústica em preto e branco, porém bastante expressiva e repleta de cenários detalhados, a HQ acaba perdendo a mão ao longo da narrativa e vai se tornando, aos poucos, caótica e até tediosa.
Publicada pela HQueria, O Ladrão de Livros é um quadrinho de ótima premissa que, apesar das boas ideias e do olhar afiado sobre o meio artístico, perde força à medida que avança e acaba ficando abaixo do que promete.






