18 novembro 2022

O Eternauta: HQ argentina icônica em nova edição

Por Fora do Plástico

Com a intenção de otimizar sua qualidade visual, o quadrinho “O Eternauta” recebeu uma nova edição definitiva na Argentina. Mas antes de falarmos mais sobre isso, é necessário fazer um breve apanhado sobre essa HQ icônica.

Escrito por Héctor Germán Oesterheld (autor também de “Sherlock Time”, “Ernie Pike” e “Mort Cinder”), com desenhos de Francisco Solano López (responsável também pela arte de “Evaristo”), “O Eternauta” é considerada a mais relevante história em quadrinhos argentina. Publicada semanalmente na revista Hora Cero, entre 1957 e 1959, a HQ completa, em 2022, 65 anos do início de sua publicação. Com série em desenvolvimento pela Netflix, “O Eternauta” já foi publicada em vários idiomas. O mais recente foi o mandarim, com o título “Yonghanger”, em outubro.

 

Neve radioativa, alienígenas e ditadura

“O Eternauta” se inicia com um roteirista de quadrinhos sendo visitado por um estranho viajante do tempo, que lhe conta a sua história. Ele relata uma invasão de Buenos Aires por forças alienígenas no ano de 1963. Uma neve radioativa dizimou grande parte da população da Terra, abriu caminho para os alienígenas e os sobreviventes da capital argentina lutaram para resistir ao cenário catastrófico. Agora, esse viajante quer que o roteirista avise aos leitores do que estar por vir.

Apesar de todo o cenário de ficção científica, é sempre ressaltado o caráter político do quadrinho, mesmo que nas entrelinhas (e que se torna mais evidente na versão de 1969, com Alberto Breccia na arte). O contexto inicial da publicação se dá logo após da deposição do presidente Juan Domingo Péron, em 1955. Resistência e fortalecimento do coletivo são evidentes em O Eternauta e mais ainda em sua sequência, publicada entre 1976 e 1978.

O verdadeiro herói de El Eternauta é um Herói coletivo, um grupo humano. Reflete assim, embora sem intenção prévia, meu sentimento íntimo: o único herói válido é o herói “em grupo”, nunca o herói individual, o herói solitário.

Héctor Germán Oesterheld

 

O envolvimento político de Oesterheld é uma de suas principais marcas e seu movimento ativo contra as ditaduras militares argentinas teve um fim trágico. Durante a produção de “O Eternauta II”, o roteirista e suas quatro filhas, militantes do grupo Montoneros, foram sequestrados pelas forças militares, entre 1976 e 1977. Duas delas estavam grávidas. O corpo de Oesterheld nunca foi encontrado e ele se tornou o número 7.546 da lista da Comissão Nacional dos Desaparecidos.

A nova edição

A editora Planeta, responsável pela publicação, anuncia que essa é uma edição “definitiva, revisada e corrigida”. Foram feitos retoques em mais de cinquenta ilustrações. O processo de restauração foi feito pelo especialista Pablo Sapi, seguindo diretrizes dos herdeiros dos autores.

Em entrevista ao jornal La Voz, Marina López, filha de Solano, explica que, até 2010, “O Eternauta” ganhava edições sem contar com os originais da obra. As imagens eram reproduções retiradas das antigas revistas Hora Cero. “Elas tinham um traço mais grosso, porque eram impressões feitas em papel de má qualidade daquela época, e com tecnologias de impressão muito diferentes das de hoje”, comenta López.

Mesmo com os retoques que dão mais precisão à arte, a Planeta destaca que “O Eternauta” segue com o mesmo estilo, letras e formatação da edição original. A proposta é trazer uma experiência mais próxima possível da publicação da Hora Cero. Além disso, há novos prefácios assinados por Guillermo Saccomanno e Juan Sasturain (autor de “Perramus”).

No Brasil, ainda não há previsão para a chegada da nova edição. Por aqui, a Martins Fontes lançou “O Eternauta” e “O Eternauta II”. A que conta com Alberto Breccia na arte, “O Eternauta 1969”, foi publicada pela editora Comix Zone.

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