Morre o mangaká Yoshiharu Tsuge, pioneiro do movimento gekigá

Autor de “Nejishiki” e "O Homem Sem Talento" morreu aos 88 anos, devido a uma pneumonia.

27 março 2026
Por Fora do Plástico
Foto: Divulgação

O mangaká Yoshiharu Tsuge, autor de obras como “Nejishiki” e “O Homem Sem Talento”, morreu no dia 3 de março, aos 88 anos. A notícia foi revelada nesta sexta-feira (27), pela editora Chikuma Shobo, com a informação de que o artista foi vítima de uma pneumonia.

Pioneiro do gekigá, movimento surgido entre as décadas de 1950 e 1960, que trouxe tramas adultas e uma estética mais sóbria aos mangás, em contraste com o tom cômico dominante da época, Yoshiharu Tsuge teve parte de sua obra publicada no Brasil pela editora Veneta. Em 2019, foi lançado “O Homem Sem Talento” e em 2025, a editora trouxe ao país “Nejishiki”, considerado o trabalho mais conhecido do mangaká.

Nascido na ilha de Oshima, Tsuge estreou profissionalmente em 1955, nos kashihons, os “livros de aluguel” que fizeram sucesso durante o pós-guerra no Japão, e em revistas voltadas ao público infantil. A partir de 1965, começou a publicar seus trabalhos na celebrada revista Garo. Entre essas obras estava “Nejishiki”, originalmente lançada em 1968, que se destacou por seu estilo artístico único e pela abordagem surrealista.


Ao longo da década seguinte, continuou a aprofundar seu estilo. Alternando entre períodos de depressão e fases de intensa produtividade, Tsuge interrompeu sua carreira pela primeira vez em 1981. Retornou ao mangá entre 1984 e 1987, quando publicou o “O Homem Sem Talento”, que encerrou sua produção.

Yoshiharu Tsuge se consolidou como uma figura cultuada no Japão e no mundo todo. Em 2024, foi condecorado com a honraria japonesa da Ordem do Sol Nascente, entregue pelo governo japonês a pessoas que deram grandes contribuições à cultura, educação ou sociedade. Já em 2020, foi homenageado com Fauve d’Honneur, no Festival de Angoulême, na França. Ao descrevê-lo, o festival citou sua influência a “todas as gerações de autores que estavam por vir”. No evento, Tsuge recebeu uma exposição dedicada à sua obra.

Original de “Nejishiki” exibido em exposição em Angoulême | Divulgação

Na nota de falecimento, o filho mais velho de Tsuge destacou sua personalidade reservada e talento. “Meu pai não gostava de aparecer em público e levava uma vida tranquila, mas em casa era alguém que todos os dias se reunia à mesa com a família, uma pessoa muito dedicada aos seus. Além disso, acredito que foi um mangaká raro, capaz de transitar por uma ampla variedade de gêneros — de obras surreais ao realismo, passando por histórias sobre sonhos e viagens”.

Carrinho atualizado