
Depois do emocionante “Meu Irmão Caçula”, publicado no Brasil em 2023 pela Nemo, JeanLouis Tripp volta a falar sobre suas relações familiares em um novo quadrinho. “Un père” acaba de ser lançado na França, pela editora Casterman. Desta vez, o quadrinista francês foca na sua relação com o pai, entre altos e baixos, de forma íntima e crua.
Ainda sem previsão de lançamento no Brasil, “Un père” retrata como era a vida de Tripp antes de ter irmãos mais novos e de seus pais se divorciarem. A história continua durante sua adolescência, busca por maior independência e como isso se reflete na relação com o pai, Francis. Ele ainda escancara suas decepções e raiva, ao mesmo tempo que exalta sua admiração pelo pai.
Tripp atravessa diversas memórias de sua vida que se relacionam com o contexto socio-político da época, como quando o autor narra sobre a paixão que Francis tinha pelo Partido Comunista, ou quando era criança e foi acordado por ele para assistir Neil Armstrong pousando na Lua.
O autor traz questionamentos sobre relações paternais, mas também aborda assuntos como a masculinidade e como o amor familiar pode ser instável e, muitas vezes, é demonstrado de forma sutil e não verbal. Tripp explora os conceitos de amor e família, assim como de luto e perda, com havia feito em “Meu Irmão Caçula”, que conta o testemunho sobre a tragédia de perder o irmão após um acidente de carro.
Outro ponto em comum entre as duas obras é o uso de ferramentas digitais. Tanto “Meu Irmão Caçula” quanto “Un Père” foram feitos usando um tablet, ao invés do papel. Tripp explicou em entrevista à Radio France que, no caso de sua publicação mais recente, a decisão tem um motivo a mais. “O melhor é que ele [o tablet] tolera os erros, porque se você errar, não precisa apagar. Para mim, esse era meu maior medo, apagar meu pai”, reflete o quadrinista francês.











