9 fevereiro 2024

Conversas em Porto Alegre

Por Fora do Plástico

De Pablito Aguiar
168 páginas
Independente | 2023

Rostos, origens e vidas diferentes se unem nas páginas de Conversas em Porto Alegre. É que todas essas histórias têm um ponto em comum, além da ambientação gaúcha: o trabalho sensível de Pablito Aguiar. Sua escuta atenta e sua maneira precisa de retratar o mundo dão unidade a esse quadrinho jornalístico feito ao longo de quase cinco anos.

As doze histórias apresentadas na HQ são uma espécie de perfil, com um recorte da vida dos entrevistados. O suficiente para termos a sensação de que conhecemos, mesmo que um pouquinho, aquelas pessoas. O efeito é potencializado pelo fato de essas conversas serem diretamente com o leitor, já que Pablito se oculta das entrevistas. Dessa forma, somos nós que estamos frente a frente com Amélia, Toniolo, Janja, Dodô, Vera e tantos outros.

Conversas em Porto Alegre anda no caminho oposto à noção de um jornalismo frio e distante. É possível notar o contato, a atenção, a paciência que transbordam das páginas. Cada um dos entrevistados tem sua voz transportada para recordatórios e diálogos, com um respeito notável às suas trajetórias. É possível também enxergar as camadas de processos que envolvem a execução da obra, as entrevistas originais, a pesquisa e a codificação da vida real para o papel.

Em Almoço, publicado pela Arquipélago, Pablito Aguiar já havia mostrado sua capacidade de síntese. Nesse novo quadrinho não é diferente, são cerca de dez páginas para cada entrevistado. O que se conta em apenas dez páginas? É preciso usar muito bem as ferramentas dos quadrinhos. O traço também econômico, em linha clara, carrega a identidade do quadrinista e dá um charme especial à representação dos cenários e personagens, que pode ser comprovada na comparação com a fotografia que acompanha o final de todas as histórias.

Há uma linha invisível em Conversas em Porto Alegre, que costura as vidas de cada uma das pessoas que Pablito entrevistou e transformou em quadrinho. Uma linha que mostra que histórias não precisam ser extraordinárias para gerar interesse, para nos encantar.

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