De Pierre Maurel
128 páginas
DarkSide Books | 2025
Tradução: Aline Zouvi
Em um mundo onde a publicação independente é proibida, Blackbird, de Pierre Maurel, parte de uma ideia inquietante. A HQ acompanha um grupo de jovens quadrinistas que passa a criar e distribuir fanzines de forma clandestina, em um contexto no qual o governo quer censurar a liberdade de expressão.
Neste cenário, só é possível publicar por meio de editoras oficiais, com editores responsáveis por aprovar qualquer conteúdo. Sendo assim, esses amigos decidem combater o sistema e criar uma resistência.
É interessante observar que, mesmo unidos pela amizade e por ideais em comum, os personagens reagem de maneiras bem diferentes à nova realidade. Enquanto alguns tentam encontrar brechas para sobreviver dentro dessa legislação, outros partem para atitudes mais radicais.
Apesar da ótima premissa, Blackbird não consegue explorar todo esse potencial. Publicada originalmente de maneira seriada entre 2009 e 2011, a obra sofre com oscilações de ritmo e de foco narrativo, o que pode ser reflexo dos intervalos entre as publicações. Alguns trechos parecem mais urgentes e bem resolvidos, enquanto outros soam fragmentados ou apressados. Essa irregularidade enfraquece o impacto do discurso e dificulta o envolvimento com os personagens.
O traço de Pierre Maurel é simples e muito contraste, bem alinhado à estética dos fanzines. No entanto, a falta de distinção entre alguns personagens principais confunde a leitura em alguns momentos.
Lançado pela DarkSide Books, Blackbird vai além de uma ficção distópica sobre censura, é também uma ode ao fazer quadrinhos, ao ato criativo como forma de resistência. A obra carrega uma reflexão pertinente sobre silenciamento e liberdade de expressão, mas, ainda assim, fica a sensação de que esse potencial poderia ter sido melhor aproveitado.






