De Claudio Nizzi e Aurelio Galleppini
244 páginas
Mythos | 2025
Tradução: Julio Schneider
O terceiro volume da coleção Tex Gigante, “O Sinal da Serpente”, começa com uma mistura interessante de investigação e elementos místicos, mas acaba entregando uma aventura mais convencional do que seu ponto de partida sugere.
Escrito por Claudio Nizzi e desenhado por Aurelio Galleppini, o quadrinho coloca Tex e Carson investigando a morte de soldados atacados por serpentes, enquanto procuravam por ladrões na fronteira mexicana. Esse gancho logo nas primeiras páginas desperta curiosidade e cria expectativa para algo mais sombrio e imprevisível. Porém, conforme a trama avança, a história abandona parte desse clima intrigante e passa a seguir um caminho mais familiar.
No centro de tudo está um alquimista que, financiado pelos roubos dos criminosos, tenta decifrar manuscritos de seu antigo mestre para descobrir uma forma de criar ouro. Embora a ideia seja interessante, Nizzi acaba recorrendo a obstáculos que surgem mais para prolongar a jornada dos protagonistas até o confronto final do que para explorar todo o potencial dessa ideia.
Outro ponto é que há uma certa ingenuidade na condução do roteiro, com Tex e Carson parecem estar sempre um passo à frente dos acontecimentos. Com isso, a trama raramente consegue criar suspense e acaba virando uma aventura bastante previsível.
Sobre a arte, Aurelio Galleppini, o criador gráfico de Tex, já estava próximo do fim de sua carreira quando desenhou “O Sinal da Serpente”. Longe de ser um trabalho desastroso, o traço demonstra certo desgaste, com problemas de proporção e cenas engessadas.
Publicado no Brasil pela Mythos Editora, “O Sinal da Serpente” funciona melhor como uma leitura descompromissada. Mesmo sem desenvolver todo o seu potencial, a HQ ainda entrega uma aventura divertida.






