6 setembro 2022

Taxista

Por Fora do Plástico

De Martí
160 páginas
Comix Zone | 2022
Tradução: Jana Bianchi

Taxista é a típica leitura que exige um investimento emocional até o fim. Com um tom perturbador e sombrio, a HQ exala a sujeira da alma humana. Martí nos mostra um universo tão nojento e maligno que sentimos repulsa. No entanto, por trás desse enredo depravado, a obra oferece um material crítico a respeito de um mundo cada vez mais egoísta e doente.

Misturando personagens imorais, violência repulsiva, decadência ética e tudo que você pode imaginar de imundo, o quadrinho acompanha o Taxista Cuatroplazas, um protagonista bem distante da figura de “mocinho”, apesar de ele estar convencido que é um homem do bem.

Em uma noite comum de trabalho, um ladrão tenta roubar seu passageiro. Logo, o protagonista controla a situação e o bandido é preso. Tal acontecimento desencadeia uma série de situações malucas, quando o filho desse ladrão é libertado da prisão e imediatamente busca vingar seu pai.

A trama é propositalmente exagerada e grotesca, desvinculada da realidade, com coincidências absurdas. Uma experiência pensada para ser desconfortável. Só que, embora o roteiro seja recheado de absurdos, ele é simultaneamente realista. Martí escancara algo factual: a sociedade está cheia de pessoas corruptas, frias, incapazes de perdoar e de se importar com o próximo.

É importante dizer que, deixando de lado toda essa pegada crítica e com vários significados (inclusive alguns que provavelmente não identificamos), a obra é um ótimo thriller noir. Nossa observação é em relação à segunda história do álbum, que não mantém o brilho da primeira. O ritmo é irregular e o desfecho parece “abandonado”.

Sem qualquer bússola moral, Taxista é desumano. Décadas após sua publicação original, a obra chega ao Brasil pela Comix Zone e, mesmo tanto tempo depois, provoca inquietações.

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