“Sempre vou escolher um leitor em vez de uma empresa”: Ram V revela sua visão sobre a pirataria

Roteirista indiano relembra ter conhecido clássicos dos quadrinhos por meio da pirataria, enquanto crescia na Índia.

15 maio 2026
Por Fora do Plástico


“O primeiro quadrinho que eu li como adulto foi ‘Sandman’. E eu baixei por torrent”
, revelou Ram V, em uma postagem no X, na qual declarou sua visão sobre a pirataria. O roteirista de “As Muitas Mortes de Laila Starr”, “Sabores Raros” e responsável pela fase mais recente dos Novos Deuses na DC apresentou sua perspectiva a partir da própria experiência: a de alguém que cresceu em Mumbai, na Índia, em um contexto de restrições econômicas que limitavam seu acesso a bens culturais.

No texto, o quadrinista indiano relembra que, além de “Sandman”, boa parte do contato que teve com quadrinhos norte-americanos considerados clássicos foi através da pirataria. Ram V acrescenta que sua posição sobre o tema não mudou, mesmo depois de se tornar um profissional da área e atribui isso a algo que considera intrínseco ao meio.

Para ele, os quadrinhos sempre tiveram uma natureza improvisada e quase clandestina. “Você não pode amar uma indústria em que pessoas fotocopiam e grampeiam sua arte e levam isso para convenções, e depois ficar indignado quando as pessoas leem suas histórias online”, escreveu.

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Apesar disso, Ram V destaca que seu objetivo não é endossar a pirataria como algo bom ou correto. “Ela simplesmente existe.” O roteirista, que já trabalhou em editoras como Marvel, DC, Boom! e Image, avalia que as respostas da indústria ao problema — a limitação do acesso por direitos digitais ou a distribuição em escala suficiente para que a pirataria não prospere — raramente beneficiam os criadores. “Olhe para a música, olhe para os royalties. Os quadrinhos digitais como empreendimento editorial, na minha experiência, são uma bagunça”, afirmou.

“Então, minha única escolha real é: dou o benefício da dúvida a um público que pode piratear, mas que também pode vir a apoiar meu trabalho? Ou a uma indústria cujo principal interesse é extrair o máximo de lucro disso para si mesma?”

A resposta está na visão que o artista já revelou ter sobre as HQs: “Sempre vou escolher um colega leitor em vez de uma empresa. Talvez em solidariedade a esse pequeno coração anárquico dos quadrinhos”, conclui.

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