
“O primeiro quadrinho que eu li como adulto foi ‘Sandman’. E eu baixei por torrent”, revelou Ram V, em uma postagem no X, na qual declarou sua visão sobre a pirataria. O roteirista de “As Muitas Mortes de Laila Starr”, “Sabores Raros” e responsável pela fase mais recente dos Novos Deuses na DC apresentou sua perspectiva a partir da própria experiência: a de alguém que cresceu em Mumbai, na Índia, em um contexto de restrições econômicas que limitavam seu acesso a bens culturais.
No texto, o quadrinista indiano relembra que, além de “Sandman”, boa parte do contato que teve com quadrinhos norte-americanos considerados clássicos foi através da pirataria. Ram V acrescenta que sua posição sobre o tema não mudou, mesmo depois de se tornar um profissional da área e atribui isso a algo que considera intrínseco ao meio.
Para ele, os quadrinhos sempre tiveram uma natureza improvisada e quase clandestina. “Você não pode amar uma indústria em que pessoas fotocopiam e grampeiam sua arte e levam isso para convenções, e depois ficar indignado quando as pessoas leem suas histórias online”, escreveu.
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Apesar disso, Ram V destaca que seu objetivo não é endossar a pirataria como algo bom ou correto. “Ela simplesmente existe.” O roteirista, que já trabalhou em editoras como Marvel, DC, Boom! e Image, avalia que as respostas da indústria ao problema — a limitação do acesso por direitos digitais ou a distribuição em escala suficiente para que a pirataria não prospere — raramente beneficiam os criadores. “Olhe para a música, olhe para os royalties. Os quadrinhos digitais como empreendimento editorial, na minha experiência, são uma bagunça”, afirmou.
“Então, minha única escolha real é: dou o benefício da dúvida a um público que pode piratear, mas que também pode vir a apoiar meu trabalho? Ou a uma indústria cujo principal interesse é extrair o máximo de lucro disso para si mesma?”
A resposta está na visão que o artista já revelou ter sobre as HQs: “Sempre vou escolher um colega leitor em vez de uma empresa. Talvez em solidariedade a esse pequeno coração anárquico dos quadrinhos”, conclui.





