Sem Medo

15 julho 2023

De Andrea Campanella e Anthony Mazza
120 páginas
Peirópolis | 2023

Uma produção ítalo-brasileira, Sem Medo propõe um olhar para a São Paulo da década de 1950, através das vidas de Vera, seu irmão Luiz, e do italiano Mario. A dupla de autores Andrea Campanella e Anthony Mazza discute temas relevantes, em especial o momento social que vivia o Brasil nessa época, mas não consegue criar uma história cativante.

Vera e Luiz são filhos de Jorge, um ferroviário que sofre um acidente de trabalho devido à falta de manutenção nos trilhos. O acidente afeta completamente as vidas dos dois e reflete também as preocupações do movimento sindical. Não muito distante da casa dessa família está a padaria de Mario, um ex-jogador de futebol que emigrou para o Brasil, como muitos italianos no pós-guerra. Amigo de Luiz e, posteriormente, um interesse amoroso de Vera, o padeiro sofre preconceito e violências por ser imigrante.

Mesmo que sintamos curiosidade por suas histórias, os personagens são pouco explorados. Sabemos mais sobre Luiz e Mario, mas Vera é uma personagem muito pouco aprofundada, para além de suas responsabilidades como irmã mais velha. Os diálogos são muito expositivos e as temáticas abordadas acabam perdendo fôlego, com o desenvolvimento mecânico da trama. O roteiro do italiano Andrea Campanella pincela um Brasil de tensões sociais, da Copa do Mundo de 1950, da exploração da classe operária: um cenário que desperta curiosidade, mas ao final os conflitos são facilmente resolvidos.

A arte do brasileiro Anthony Mazza é carregada nos tons quentes, com um design de personagens que economiza nos traços, ao estilo linha clara. Esse visual estilizado é muito bem-vindo e logo nos chamou a atenção, assim como a ambientação precisa e cuidadosa. Por outro lado, as cenas de ação são bastante estáticas e algumas imagens parecem muito escuras.

Publicado pela editora Peirópolis, Sem Medo é um quadrinho que nos deixou cheio de expectativas, primeiro com a bela capa, depois pelo contexto da história. É claro que o quadrinho tem bons momentos e uma arte encantadora, mas seria muito interessante ver o caldeirão que era o Brasil dos anos 1950 retratado em uma trama que fosse menos superficial.

 

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