“Sargento Kirk” chega ao Brasil em coleção com mais de 900 páginas

Parceria entre os criadores de “Corto Maltese” e “O Eternauta”, “Sargento Kirk” será publicado em dois volumes pela Pipoca & Nanquim.

15 agosto 2026
Por Fora do Plástico

Hugo Pratt e Héctor G. Oesterheld, dois nomes atemporais dos quadrinhos, se encontram em “Sargento Kirk”. Primeira colaboração entre o italiano criador de “Corto Maltese” e o argentino cocriador de “O Eternauta”, a série chega pela primeira vez ao Brasil em uma coleção da Pipoca & Nanquim. A obra completa terá dois volumes, com mais de 900 páginas no total, e o primeiro será lançado em setembro.

Publicado originalmente na Argentina em 1953, nas páginas da revista “Misterix”, da Editorial Abril, “Sargento Kirk” teve uma longa publicação com desenhos de Hugo Pratt. Depois desse período, a série chegou a ter outros desenhistas, mas a edição da PN vai compilar exclusivamente a fase clássica do personagem, desenvolvida pela dupla ao longo de quase uma década.

É importante destacar que, na década de 1960, para a publicação na Itália, Pratt “rediagramou” toda a HQ, originalmente produzida em formato horizontal. É essa versão que continua sendo republicada até hoje e que chega agora ao Brasil. A edição brasileira já havia sido anunciada pela editora durante seu painel na CCXP25, quando revelou parte do cronograma de publicações para 2026.

Na história, após anos de serviço militar no Velho Oeste, o Sargento Kirk começa a questionar as ações do exército nos conflitos violentos com as tribos indígenas da região e acaba desertando por não compartilhar da ideologia de seus superiores. Sozinho no deserto, mas sempre guiado por seu forte senso de justiça, Kirk passa a defender aqueles que considera dignos, sejam indígenas ou caras-pálidas. Aos poucos, encontra aliados que compartilham de sua visão e se tornam seus companheiros de vida e de combate, em uma batalha pela sobrevivência em um faroeste cheio de reviravoltas e emboscadas.

A série desconstrói a imagem clássica dos caubóis como heróis e dos indígenas como vilões, ao apresentar um protagonista que questiona essa premissa e age de acordo com aquilo que julga ser certo.

O primeiro volume de “Sargento Kirk” tem 548 páginas, com tradução de Júlio Schneider, prefácio do jornalista e professor Paulo Ramos e uma entrevista que Oesterheld concedeu a Martín García no programa de rádio “Cinco por Buenos Aires”, em 1976, na qual comenta a criação da HQ e seus personagens.

Esta foi a primeira parceria entre Pratt e Oesterheld, que logo na sequência também trabalharam juntos em “Ernie Pike” e “Ticonderoga”, ambos publicados no Brasil pela Figura.

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