14 setembro 2022

Quando a literatura se encontra com os quadrinhos

Por Fora do Plástico

São muitas as adaptações em quadrinhos de livros, principalmente de clássicos da literatura. Nessa transposição para outra mídia, elementos da linguagem dos quadrinhos dão novas nuances para as obras originais, muitas vezes ressignificando-as. A experiência de ler um livro e depois ler uma HQ derivada dele pode ser completamente distinta, justamente por aquilo que os quadrinhos têm a acrescentar. Abaixo, selecionamos alguns quadrinhos que adaptam livros e que já foram publicados no Brasil.

1984

George Orwell, adaptado por Fido Nesti | Quadrinhos na Cia.

Na trama, acompanhamos Winston Smith, um homem que vive aprisionado na engrenagem totalitária de um regime opressivo em que pensar livremente custa caro. A história de Winston é recontada, agora, por meio dos traços de Nesti, que é bastante fiel ao texto original de Orwell. A HQ, apesar de condensar algumas informações e usar a narrativa visual para explorar alguns dos conceitos-chave de 1984, ainda é bastante carregada no texto.

 

 


O Idiota

Fiódor Dostoiévski, adaptado por André Diniz | Quadrinhos na Cia.

Em preto e branco, e num registro quase sem palavras, André Diniz propõe uma recriação surpreendente do clássico de Dostoiévski. Seu traço expressivo dá a vida ao jovem Míchkin, que após anos internado num sanatório suíço para tratar sua epilepsia, retorna à Rússia e se vê envolvido num triângulo amoroso.

 

 


A Revolução dos Bichos

George Orwell, adaptado por Odyr | Quadrinhos na Cia.

Publicado em 1945, ano do final da Segunda Guerra Mundial, A Revolução dos Bichos continua sendo uma leitura certeira para analisarmos a relação do homem com o poder e os efeitos de governos totalitários. Sem aliviar no tom crítico da obra original, Odyr cria verdadeiros painéis pintados em tinta acrílica, que contribuem como um elemento criativo adicional ao conteúdo original.

 

 


Moby Dick

Herman Melville, adaptado por Chabouté | Pipoca & Nanquim

Assim como havia descrito Melville, a Moby Dick de Chabouté é tão imponente como pode se imaginar. A fluidez da narrativa, aliada ao traço deslumbrante do autor francês torna esse quadrinho uma ótima adaptação. Difícil não se envolver na busca pelo acerto de contas do capitão Ahab com a cachalote branca.

 

 


O Sol É Para Todos

Harper Lee, adaptado por Fred Fordham | José Olympio

Nesta edição, adaptada e ilustrada por Fred Fordham, acompanhamos de perto as alegrias, descobertas e dilemas da pequena Scout e sua família, durante o período da Grande Depressão, na década de 1930. Fordham adapta fielmente a obra, transcrevendo, inclusive, trechos do romance original. O Sol é Para Todos parece ainda mais delicado, intenso e cruelmente realista nos traços do autor.

 

 


Afirma Pereira

Antonio Tabucchi, adaptado por Pierre-Henry Gomont  | Nemo

Além da adaptação fiel do romance original, a versão em quadrinhos de Afirma Pereira também impressiona por aquilo que os quadrinhos podem trazer para a literatura: uma releitura colorida, cheia de estilo e originalidade. Na trama, desde a morte de sua esposa, a vida de Pereira tem sido solitária. Responsável pela página cultural de um jornal católico, ele contrata como estagiário um certo Francisco Monteiro Rossi. O que ele não imaginava é que Monteiro Rossi é um idealista que redige textos perigosamente “impublicáveis”, e que seria o responsável por fazer o protagonista ser confrontado com a realidade à sua frente, a ditadura salazarista.

 

 

 


O Processo

Franz Kafka, adaptado por Chantal Montellier  e David Zane Mairowitz  | Veneta

O Processo narra a história de Joseph K., que é preso sem explicação e forçado a enfrentar um sistema jurídico absurdo. O labirinto no qual ele acaba se perdendo é aquele dá origem ao termo “kafkaniano”. Um retrato da burocracia autoritária que faz jus à obra original.

 

 


Paraíso Perdido

John Milton, adaptado por Pablo Aulladel | DarkSide Books

Com seu traço sombrio, Pablo Aulladel captura o lirismo de John Milton. Ao mesmo tempo, complementa a experiência do leitor, dando ainda mais vida ao texto. Assim como o poema ganhou notoriedade pela beleza de suas palavras, a graphic novel conquista pelas imagens, retratando a complexidade e tragédia de uma história atemporal, com um toque pessoal, mas que respeita totalmente o texto original.

 

 


O Conto da Aia

Margaret Atwood, adaptado por Renée Nault | Rocco

O Conto da Aia, de Margareth Atwood, surpreende leitores desde 1985, quando foi publicado. A semelhança de alguns traços de Gilead com a realidade tornam aquele universo distópico ainda mais convincente para nós. Adaptado para a TV em 2017, o romance ganhou outra versão recentemente, dessa vez em quadrinhos. A trama é bem explicada na graphic novel, mesmo que reduzida. Toda a imersão naquele universo é ainda mais intensificada pela arte incrível Nault. A quadrinista reforça os tons de vermelho e azul, que dividem as classes de mulheres e dá às cores uma saturação contrastante com seus traços.

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