De Thiago Souto
48 páginas
Ugra | 2025
Ponto Nemo é um quadrinho em que o leitor precisa participar ativamente da leitura para mergulhar fundo na história contada por Thiago Souto. Parte da Tetralogia da Ausência, iniciada com o excelente Naukan, o quadrinho não possui balões de fala. É a narrativa gráfica que rouba a cena e dá à trama um caráter misterioso, quase sombrio, e até mesmo interpretativo.
Rumo ao Ponto Nemo, local mais distante possível de qualquer terra firme do planeta, localizado no Pacífico Sul, um homem se vê diante de memórias borradas, fotografias e do peso do luto. Cabe ao leitor juntar as peças dessa história que vai do relacionamento íntimo de um casal aos mitos de Cthulhu.
A emoção toma conta de várias páginas, com um ritmo ditado pelo tamanho dos quadros, pelas repetições e pela maneira como o autor entrelaça os fragmentos dessa história. Pode parecer tudo muito turvo, nebuloso, mas é parte do charme da proposta do quadrinista. Um pouco de conhecimento prévio da isolada região que dá nome à HQ pode ser bem-vindo, mas não é exigência, a própria trama dá conta de, apenas com a arte, apresentar o Ponto Nemo e seus mistérios.
O traço solto e estilizado de Thiago Souto é marcado pelo movimento. Embora esse seja um quadrinho curto, as páginas estão carregadas de detalhes, todos importantes para o desenvolvimento do enredo. Uma segunda leitura torna isso ainda mais evidente. Destaque, é claro, para a narrativa gráfica, que já era o ponto alto de Naukan.
Publicado pela Ugra, Ponto Nemo é um quadrinho que fala através dos silêncios. Um “som” que é gutural, vindo das profundezas, talvez um choro abafado. Como o segundo quadrinho da Tetralogia, este é mais um ótimo trabalho apresentado por Thiago Souto, mal podemos esperar pelas próximas obras que irão compor a série.






