De Francisco Ibáñez
96 páginas
Figura | 2025
Tradução: Ernani Ssó
No segundo volume da coleção de “Mortadelo e Salaminho”, do selo Figurinha, da Figura Editora, o leitor encontra desta vez duas aventuras: “Chapelão, o Bandidinho”, de 1970, e “Os Monstros”, de 1973. Como de costume nas histórias dos personagens criados por Francisco Ibáñez, a lógica passa longe das missões da lendária dupla de agentes secretos dos quadrinhos. E é justamente essa falta de sentido a engrenagem do humor aqui.
Por mais que a estrutura narrativa possa soar repetitiva, e em alguns momentos realmente é, com gags e piadas empilhadas uma após a outra, o humor de Ibáñez tem uma identidade muito própria. Mesmo que hoje já não soe tão original, suas histórias ainda trazem um senso de ironia muito atento à realidade, que usa o absurdo para satirizar situações cotidianas.
Em “Chapelão, o Bandidinho”, os agentes enfrentam um vilão que, apesar da aparência miúda, usa um chapéu capaz de defendê-lo de praticamente qualquer coisa. Sempre que a dupla chega perto para tentar capturá-lo, o chapéu faz algum truque inesperado. A trama avança como uma sequência de perseguições desastradas, rendendo momentos divertidos.
Já em “Os Monstros”, Mortadelo e Salaminho precisam capturar criaturas como Frankenstein e Drácula, que ganham vida graças a uma máquina criada pelo Dr. Bactério. Embora tenha piadas mais repetitivas, a história é simpática e se sustenta bem nos gags típicos da série.
A arte de Francisco Ibáñez acompanha bem esse humor caótico e pastelão da HQ. O traço é bem cartunesco, com personagens deformados, expressões exageradas e muita movimentação nos quadros. É um desenho simples à primeira vista.
Este segundo volume de “Mortadelo e Salaminho”, da coleção da Figura, mostra bem por que a série se consolidou como um clássico dos quadrinhos europeus. Com humor absurdo, situações caóticas e personagens carismáticos, a leitura flui de forma leve e divertida.






