Nota 4.5

Limbo

30 junho 2026

De Deb JJ Lee
352 páginas
nVersos | 2026
Tradução: Érico Assis

Limbo é um quadrinho assumidamente melancólico. Deb JJ Lee revisita memórias de sua adolescência, que nesta obra é marcada por um profundo sentimento de deslocamento. Como alguém que cresceu em uma família que emigrou da Coreia do Sul para os Estados Unidos, a protagonista vive dilemas que vão além do pertencimento e recaem na deterioração da sua saúde mental.

Ainda nas primeiras páginas, Deb observa outras pessoas da mesma idade. Sua fisionomia, principalmente seus olhos, são diferentes. Essa introdução é simbólica: ali o leitor já percebe como, o tempo todo, a jovem se sente distante. À medida que vemos o contexto completo, sua vida escolar, as amizades que constrói, seus hobbies e, principalmente, sua relação conturbada com a mãe, sentimos o peso que Deb carrega. Somos confidentes de suas inseguranças e, a cada capítulo, compreendemos melhor o limbo ao qual o título se refere.

Apesar de boa parte das mais de 300 páginas da HQ serem muitas vezes difíceis de atravessar, pelo peso das memórias retratadas, Limbo é um quadrinho que flui muito bem. Alguns trechos soam abruptos e até mesmo confusos, principalmente em transições temporais, mas o fluxo narrativo como um todo é consistente.

O tom de melancolia é acentuado pela escolha do azul. Deb cria páginas lindíssimas, com um uso impressionante de apenas uma cor. As emoções mais intensas são retratadas com sensibilidade por meio da arte, que se mostrou como um refúgio para sua versão adolescente.

Publicado pela nVersos, Limbo reflete toda a complexidade que é crescer e transforma esse período em algo ainda mais denso ao abordar, sem rodeios, questões de saúde mental. Um quadrinho sincero e intenso, com um visual impressionante.

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