
O Tribunal de Justiça de São Paulo confirmou a falência da Livraria Cultura. Os representantes da empresa foram notificados neste mês, de acordo com o TJSP. Até o ano passado, a livraria contava com apenas três lojas, todas na cidade de São Paulo, que estão fechadas desde outubro, segundo o Publishnews.
O site da livraria foi desativado e os telefones encaminham para a caixa postal. A Cultura chegou a ter mais de mil funcionários e 17 lojas em oito estados. A dívida declarada da empresa é de mais de R$ 285 milhões. Procurado por veículos como Estado de São Paulo e Folha, o diretor-presidente da Cultura, Sérgio Herz, da família fundadora, não se manifestou sobre o assunto.
O ponto alto da crise da livraria se deu em 2018, quando a rede entrou em processo de recuperação judicial, mas os problemas financeiros começaram antes. No segundo semestre de 2016, a Cultura anunciou que iria realizar o pagamento das vendas do período apenas em janeiro de 2017. Entretanto, os pagamentos ou não aconteceram ou foram feitos de maneira parcial, o que iniciou uma preocupação dentro do setor.
Em 2020, durante a pandemia, dois acontecimentos intensificaram a crise da empresa. Os credores rejeitaram mudanças no plano de recuperação judicial e corria na Justiça uma ação de despejo do imóvel onde funcionava a principal loja da livraria, a localizada no Conjunto Nacional, na Avenida Paulista.

A unidade foi inaugurada pela fundadora da Cultura, Eva Hertz, em 1969. Segundo o processo, os proprietários alegavam que a dívida chegava à cifra de R$15 milhões. Em 2023 a justiça decretou o despejo que só ocorreu em abril de 2024.
Crise das livrarias?
Este é apenas mais um capítulo no mercado livreiro no Brasil. Segundo dados da Associação Nacional de Livrarias (ANL) de 2024, o Brasil tem menos de 3 mil livrarias físicas em todo o país, sendo que 61% delas estão na região Sudeste. Além da Livraria Cultura, a Saraiva, considerada por muitos anos a maior rede de livrarias do país, também teve falência decretada e fechou em 2023 cerca de 80 lojas.
Uma saída encontrada pelo mercado está na abertura de livrarias em Shoppings, estratégia adotada pela mineira Leitura, que segue em expansão. Outra abordagem é a integração e união de livrarias de rua, como aconteceu em São Paulo com a elaboração de um mapa com os estabelecimentos da cidade.
Uma pesquisa da Câmara Brasileira do Livro (CBL) em parceria com a Nielsen BookData aponta que 49% dos brasileiros preferem comprar livros em lojas físicas se os preços forem equivalentes aos online. Porém, como destacou Marcus Teles, CEO da Leitura em uma entrevista ao Meio & Mensagem em 2025, há muitas grandes cidades no Brasil sem livraria. “Nós acreditamos que ainda há espaço. Mas não fazemos dívida, não temos pressa. O importante é abrir lojas boas e viáveis”, disse o empresário.

Também ao portal, Luciana Borges, diretora comercial da Companhia das Letras, destaca o papel das livrarias como um espaço de divulgação dos livros e de encontro entre autores e o público. Segundo a diretora comercial, as livrarias também conseguem uma aproximação melhor com o leitor, adaptando suas vitrines e catálogos às demandas e interesses regionais.





