Juiz rejeita ação contra Neil Gaiman por abuso sexual; entenda o motivo

Decisão avalia que o processo deveria ser julgado na Nova Zelândia, onde os abusos teriam acontecido

4 outubro 2025
Por Fora do Plástico
Foto: Paula Lobo | Getty Images

O processo contra Neil Gaiman aberto por Scarlett Pavlovich, ex-babá do filho do escritor, foi rejeitado nesta sexta-feira (03) pelo juiz federal James D. Peterson, do estado de Wisconsin, nos Estados Unidos. De acordo com o tribunal, a ação que acusa o autor de “Sandman” de abuso sexual e tráfico humano deveria ser julgada na Nova Zelândia, onde os supostos eventos teriam ocorrido, e não nos EUA. Embora tenha rejeitado o processo, o juiz James D. Peterson ressaltou que não avaliou a veracidade das alegações.

A decisão se baseou na doutrina do forum non conveniens, que permite aos tribunais rejeitar processos que seriam melhor analisados em outra jurisdição. O veredito acatou o pedido de arquivamento do advogado de Gaiman, argumentando que o caso não pertencia aos Estados Unidos, uma vez que os acontecimentos não teriam sido no país. “Os jurados de Wisconsin ficariam intrigados com a forma e o motivo de serem chamados a decidir um processo envolvendo eventos tão distantes”, escreveu o juiz.

Amplamente cobertas pela mídia, as acusações de Pavlovich contra Gaiman se baseiam no período em que a jovem atuou como babá do filho do escritor, na casa em que ele mantinha na Nova Zelândia com sua esposa à época, Amanda Palmer. Segundo Pavlovich, Gaiman a agrediu sexualmente várias vezes no início de 2022. O roteirista nega ter tido qualquer relação não consensual com a ex-babá.

A ação foi aberta em janeiro de 2025 por Pavlovich em Wisconsin, por se tratar do estado de residência atual de Gaiman. A decisão do juiz James D. Peterson foi proferida sem prejuízo, o que significa que Pavlovich poderá processar Gaiman novamente na Nova Zelândia. Caso ele se recuse a receber a citação naquele país, o processo nos Estados Unidos poderá ser reaberto futuramente. A ex-babá entrou com pedido de recurso após a rejeição do processo.

Foto: Nick Cunard | Shutterstock

Linha do tempo do caso Gaiman

Os casos de abuso envolvendo Gaiman vieram a público com o podcast “Master”, da Tortoise Media, lançado no ano passado. Essas histórias ganharam ainda mais atenção com reportagem da jornalista Lila Shapiro, publicada na Vulture, seção da New York Magazine. O texto traz o relato de oito mulheres, algumas anônimas, sobre como foram vítimas de Gaiman. Duas das entrevistadas chegaram a fazer boletins de ocorrência o acusando de estupro e agressão sexual em 2024.

Como resposta, Neil Gaiman publicou em seu blog pessoal o texto “Breaking the Silence”. Ele nega ter tido qualquer relação sexual que não tenha sido consensual. O escritor e roteirista pede desculpas por ter sido emocionalmente negligente e egoísta, mas não cometeu nenhum abuso.

Capa da New York Magazine de 13 de janeiro

Após toda a repercussão, diferentes adaptações das obras de Gaiman foram impactadas. “Good Omens” teve sua terceira temporada reduzida a apenas um episódio longo. “Dead Boy Detectives” foi cancelada com uma temporada. “Sandman” foi concluída antecipadamente na segunda temporada. Por fim, o desenvolvimento do filme “O Livro do Cemitério” foi pausado indefinidamente.

Já nos quadrinhos, a editora Dark Horse cancelou publicações relacionadas ao roteirista, como a série em andamento “Anansi Boys” (que adapta o livro de Gaiman). A Marvel revelou não ter planos futuros para o escritor e a DC colocou algumas republicações de Sandman na geladeira.

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