De Hubert e Virginie Augustin
224 páginas
HQueria | 2025
Tradução: Ana Clara Mattoso
Joe, a Pirata promete contar, em detalhes, a agitada vida de Marion “Joe” Carstairs, um dos primeiros ícones LGBT+ do século XX. Hubert e Virginie Augustin percorrem da infância até o último suspiro de sua biografada, em uma história que dá pouco respiro para o leitor. Herdeira, aventureira, atleta, incoerente, rainha de sua própria ilha, Joe é daquelas figuras difíceis de decifrar, mas que possuem um magnetismo particular.
Nascida em berço de ouro, ela contou com a favorável situação financeira da família para viver uma vida sem limites. Desde cedo, decidiu que o nome Marion não contemplava toda a sua personalidade, que não se resumia ao papel feminino da época. Joe não queria ser um homem, mas queria ter toda a liberdade que era permitida a eles.
Hubert busca trazer um panorama bastante amplo dos mais de 90 anos de sua protagonista: a relação conturbada com a mãe; a paixão pela aventura, concretizada nos barcos de corrida que pilotou; a participação na Primeira Guerra Mundial; as dezenas de amantes, que vão de mulheres comuns à atriz Marlene Dietrich; a ilha nas Bahamas, que governou durante décadas, após comprá-la; as contradições e visão colonialista… São tantos acontecimentos que as mais de 200 páginas do quadrinho não dão conta de aprofundar. O leitor pode ficar até mesmo perdido diante de tanta agitação.
Virginie Augustin traz muita fluidez para os movimentos dos personagens com seu traço. Seu estilo é leve e ao mesmo tempo carregado de contraste. Apesar do visual bonito, algumas composições de páginas soam confusas e situações ocorridas em períodos distintos podem ocupar a mesma página, o que pode ser o reflexo de um roteiro repleto de datas a serem contempladas.
É divertido (e caótico) acompanhar a vida de Joe. O quadrinho publicado pela HQueria é uma homenagem intensa a essa figura curiosa, que poderia ser mais impactante caso pudesse dar ao leitor mais profundidade diante de uma personalidade tão complexa. Ainda assim, é possível dizer que a jornada ao lado de Marion “Joe” Carstairs é uma experiência que captura sua essência, mesmo em uma narrativa que corre mais do que respira.








