[Especial]

Japão aposta na Índia para expandir influência cultural do mangá

Estratégia aposta no alto índice de leitura e no crescimento do mercado de HQs no país.

13 janeiro 2026
New Delhi World Book Fair / Reprodução.

A Índia tem sido o novo foco de uma ofensiva cultural do Japão em torno dos quadrinhos. A estratégia busca não apenas metas econômicas no país mais populoso do mundo, mas também reposicionar o mangá como parte relevante do mercado literário e editorial global, destaca o portal francês especializado em mercado editorial, Actualitté.

Conduzida pelo governo japonês, com apoio de fundações parceiras, a iniciativa concentra-se inicialmente na Índia por razões estratégicas. O país reúne um mercado potencial de cerca de 1,5 bilhão de habitantes, registra altos índices de leitura e vem demonstrando interesse crescente por histórias em quadrinhos. Em 2024, o setor de HQs movimentou aproximadamente US$ 687 milhões no país, com projeções que indicam a possibilidade de esse valor dobrar até 2030.

Jaipur Literature Festival / Reprodução.

Um dos exemplos recentes dessa estratégia é a participação de Yoshitoki Ōima, criadora de “A Voz do Silêncio” e “Uma Vida Imortal (To Your Eternity)”, em dois grandes eventos literários da Índia. A mangaká marcará presença tanto na New Delhi World Book Fair quanto no prestigiado Jaipur Literature Festival, ambos realizados ao longo do mês de janeiro.

A escolha por eventos literários, em vez de convenções especializadas em quadrinhos e/ou animes, sinaliza a intenção de inserir o mangá em um circuito mais amplo, afastando-o da percepção de produto de nicho.

A abordagem é bastante diferente do que costuma ocorrer em países como os Estados Unidos e a França, onde, apesar de já consolidado, o mangá costuma permanecer majoritariamente restrito a espaços associados à cultura pop.

A estratégia japonesa está fundamentada em uma compreensão do mercado que ultrapassa a busca por receita. “Trata-se de criar espaços de legitimidade cultural, formar leitores e profissionais locais e estruturar um reconhecimento que permita ao mangá se integrar ao tecido editorial local, em vez de se limitar a uma lógica de consumo pontual ou passageira”, sinaliza Clément Solym na reportagem do Actualitté.

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