De Gianluca Piredda e Vincenzo Arces
Metade da série: 312 páginas (Vol.1 104 páginas, Vol.2 104 páginas e Vol.3 104 páginas)
Da Rosa e Lorobuono Fumetti | 2024 – 2025
Tradução: Lu Vieira
Em Freeman, Gianluca Piredda e Vincenzo Arces constroem uma trama ambientada na Virgínia do século XIX, em meio às tensões entre abolicionistas e escravistas. Theo, um escravizado coagido pelo capataz da fazenda onde trabalha, se vê em uma fuga não premeditada, que dá início a uma saga em busca da liberdade.
Nos três primeiros volumes da série, acompanhamos Theo se transformar em Freeman, enquanto uma busca é empreendida pelo dono da fazenda onde vivia. É assim que o quadrinho ganha ares de faroeste, com alguns elementos clássicos do gênero, mas sem perder de vista seu propósito inicial. Os absurdos da escravidão são constantemente escancarados pelo roteiro, em especial pela vilania, até caricata, de personagens como o capataz Forrest.
Piredda se preocupam com a precisão histórica, incorporando menções a fatos, músicas da época, além de referências visuais. Outro destaque é o ritmo, que é bastante equilibrado, principalmente após a fuga de Theo, com um senso de perigo crescente. Por outro lado, alguns diálogos parecem pouco naturais, em especial, os monólogos em balões de pensamento. O recurso pode ser importante para a narrativa, em certos casos, mas em alguns trechos parece dispensável.
A arte de Vincenzo Arces preza por feições mais realistas e pode soar estática no início da leitura, mas à medida que a série avança, vamos nos acostumando ao seu estilo. Seu trabalho colabora na ambientação, ainda que tome algumas liberdades.
Lançado originalmente pela revista Skorpio italiana, Freeman será composto por seis volumes na edição brasileira, publicada em uma parceria entre o selo Lorobuono Fumetti e a Da Rosa Estúdio. Com bons ganchos que conectam cada edição, a série tem tudo para continuar a prender a nossa atenção nos três volumes restantes.






