De David Hine e Michael Gaydos
160 páginas
Panini Comics | 2025
Tradução: Eduardo Tanaka e Fernando Lopes
O que sempre nos atraiu no Demolidor é a capacidade de ter histórias tão pés no chão. Redenção, de David Hine e Michael Gaydos, é um ótimo exemplo desse tom mais verossímil do herói da Marvel. Uma HQ em que Matt Murdock assume o protagonismo como advogado, e não como vigilante.
Numa pequena cidade muito cristã, o assassinato de uma criança apavora a população conservadora. Rapidamente, três jovens passam a ser acusados pelo crime. Eles se vestem de preto, gostam de quadrinhos, escutam metal e se interessam por livros de outras religiões: gostos que são vistos por grande parte da população como uma depravação. Desesperada, a mãe de um deles procura Matt em busca de ajuda para provar a inocência dos garotos.
Redenção traz uma trama tensa e envolvente, um verdadeiro thriller que mergulha o leitor no fanatismo religioso, nas fofocas de uma cidadezinha e na sujeira da corrupção. Apesar de ser uma história centrada na luta jurídica, com várias cenas de interrogatórios e momentos no tribunal, a narrativa é bem construída e faz a leitura fluir com naturalidade.
Hine faz um trabalho incrível ao colocar Matt Murdock no centro do enredo, deixando de lado seu alter ego. Um dos aspectos mais interessantes dessa abordagem é a forma como expõe Matt como alguém frágil, que não tem controle total das situações e precisa, o tempo todo, equilibrar suas ações com o peso de ser um herói.
Os desenhos de Michael Gaydos e as cores de Lee Loughridge capturam bem a atmosfera sombria da HQ. As linhas grossas e o uso intenso de sombras e contraste reforçam o tom dramático e opressivo.
Redenção é uma minissérie que se destaca pelo realismo com o qual a história é contada. O leitor embarca em uma corrida pela verdade, marcada por investigações e reviravoltas, que se torna cada vez mais desesperadora à medida que as páginas avançam.






