Cloudflare terá que pagar indenização milionária a editoras de mangás por hospedar sites de pirataria

De acordo com a decisão judicial, Cloudflare facilitou a distribuição ilegal de propriedades intelectuais por dois sites de pirataria.

20 novembro 2025


A Cloudflare foi condenada a pagar 500 milhões de ienes (cerca de R$17 milhões) às quatro grandes editoras de mangás do Japão: Shueisha, Kodansha, Shogakukan e Kadokawa. A empresa norte-americana, que fornece infraestrutura digital para redes do mundo todo, foi acusada de hospedar servidores para sites de pirataria de mangás, facilitando a distribuição ilegal de propriedades das editoras mencionadas.

A Justiça de Tóquio determinou a indenização após uma ação movida pelas próprias editoras, que informaram ao Tribunal Distrital da capital japonesa que a Cloudflare fornecia servidores a dois dos maiores sites de mangás piratas, responsáveis pela violação dos direitos autorais de mais de 4 mil títulos e que acumulavam mais de 300 milhões de visualizações mensais.

No julgamento, a juíza Aya Takahashi decidiu em favor das editoras, apesar da alegação da Cloudflare de que o seu serviço não era o responsável primário pela distribuição ilegal dos quadrinhos. Para Takahashi, a operação da empresa estadunidense foi crucial para a eficiência na enorme quantidade de dados distribuídos sem autorização.

Foto: Reuters

A juíza ainda alegou que o conteúdo hospedado poderia ser facilmente identificado como resultado de pirataria e que, assim sendo, a Cloudflare deveria tê-los removido, interrompendo o ciclo de violação dos direitos autorais.

Nos últimos anos, os leitores de mangá viram endurecer as medidas legais contra a pirataria. Em 2024, o dono do site Manga Mura foi condenado — pelo mesmo tribunal de Tóquio — a pagar mais de 50 milhões de reais à Shueisha, Kadokawa e Shogakukan, numa ação considerada sem precedentes até então. Em 2023, no Brasil, o MangáLivre foi desativado após ser notificado diversas vezes por violação de propriedade intelectual.

Em 2019, a Cloudflare já havia sido notificada pelas quatro grandes editoras japonesas por fornecer servidores a um site de pirataria de mangás. Àquela época, houve acordo extrajudicial entre as empresas.

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