
A brasileira Laica Chrose conquistou a medalha de ouro da 19ª edição do Japan International Manga Award com o webmanga “Winged”. Considerado um dos prêmios mais importantes dedicados a artistas estrangeiros que produzem quadrinhos inspirados no traço e na narrativa dos mangás, o prêmio teve resultado anunciado no dia 24 de dezembro pelo comitê organizador.
A vitória de “Winged” levou o Brasil a ocupar o topo da premiação pela segunda vez consecutiva. Em 2024, Hiro Kawahara levou a disputa com “A Sereia da Floresta”, quadrinho publicado primeiro de forma independente e, posteriormente, relançado pela Editora JBC.
“Winged” possui mais de 10 milhões de visualizações e cerca de 220 mil seguidores na plataforma Webtoon, a maior do segmento em quadrinhos de leitura vertical. A HQ pode ser lida gratuitamente, em inglês, e também conta com uma versão em formato mangá, disponível no Patreon. Com personagens antropomórficos, a história acompanha uma pomba mantida em cativeiro por um colecionador que, após um encontro inesperado com um corvo em luta constante contra os humanos, encontra a oportunidade de fugir. A partir daí, eles embarcam em uma jornada de sobrevivência baseada na confiança.
Em publicação nas redes sociais, Laica Chrose relembrou a origem da obra. “O que começou como um projeto despretensioso para me ajudar a lidar com momentos difíceis durante a pandemia acabou se tornando meu refúgio, me proporcionando momentos de tranquilidade e relaxamento sempre que encontro tempo para trabalhar nele.” A autora também aproveitou para agradecer o apoio recebido. “O processo é solitário e demorado, sem a ajuda de editores ou equipe de arte, e embora ‘Winged’ seja uma obra muito crua, também é muito sincera. Obrigado pelo apoio e sou extremamente grata aos amigos e familiares que sempre me apoiaram ao longo desta jornada.”
Brasileira radicada em Melbourne, Laica Chrose também é roteirista de “More Than Words”, HQ independente ilustrada pela artista Ju Loyola.

O PRÊMIO
A 19ª edição do prêmio recebeu 738 inscrições vindas de 110 países e regiões. O número de inscritos superou os 716 do ano passado e inaugurou um novo recorde para o concurso. Como de costume, o ouro foi entregue a apenas uma obra, enquanto três quadrinhos receberam a prata e outros dez foram premiados com o bronze. Entre os países com mais inscrições na premiação estão China, Taiwan e Indonésia, que somados chegam a quase 200 trabalhos submetidos.
Além das duas medalhas de ouro, os quadrinhos brasileiros já haviam sido premiados em outras ocasiões. Em 2019, “Ye”, de Guilherme Petreca, ficou com a prata. “Romaria” (2019), de Jun Sugiyama e Alexandre Carvalho, “Fujie and Mikito” (2020), de Yuri Andrey e Marcelo Costa, e “Amarelo Seletivo” (2022), de Talessak e Ricardo Tayra, foram laureados com o bronze.








