Nota 4.0

Antes que o Universo nos Destrua

21 julho 2026

De Gabriel Dantas
80 páginas
Taverna do Rei | 2026

Antes que o Universo nos Destrua captura a melancolia de um jeito muito particular. Gabriel Dantas apresenta uma história que é doce e ao mesmo tempo dilacerante. Com uma construção de personagens muito bem executada, o quadrinho funciona como um slice of life de um momento de acolhimento em uma infância difícil e, por isso, nos transmite sensações tão agridoces.

O protagonista é um garoto cujo nome nunca conhecemos, que vive sob o olhar repreensivo da mãe, Josiene, que o agride fisicamente e, principalmente, com as palavras. Apesar das tentativas apaziguadoras da avó, não há conforto dentro de casa, a não ser nos gibis. Quando Josiene inicia um relacionamento amoroso, o menino é levado para uma temporada na casa de praia do novo padrasto, que tem dois filhos, Mariana e Marquinhos.

O que, inicialmente, é visto com desconfiança pelo protagonista se torna uma relação de cuidado e afeto imediato. Uma característica própria da infância, quando nos tornamos melhores amigos de alguém depois de poucas horas juntos.

Em 80 páginas, Gabriel Dantas é capaz de nos tornar íntimos desses personagens, compreender seus gostos, enxergar o mundo pelo seu olhar singelo e divertido. Esse é o grande mérito de Antes que o Universo nos Destrua.

O estilo característico de Gabriel Dantas, com páginas repletas de elementos, é parte do charme da obra. A posição dos balões e a construção do layout das páginas reforçam a espontaneidade do artista, que não se prende a uma rigidez geométrica.

Lançado primeiro pela Ugra Press e agora republicado pela Taverna do Rei, Antes que o Universo nos Destrua é capaz de ser uma leitura linda e dura na mesma proporção. Afinal, essa é uma HQ que vai da inocência da infância ao choque de realidade de quem aprendeu cedo demais a conviver com a dor.

Carrinho atualizado