De Zanzim
100 páginas
HQueria | 2025
Tradução: André Caramuru Aubert
Conhecido do público brasileiro como desenhista de Pele de Homem, Zanzim apresenta em A Ilha das Mulheres um enredo que leva o leitor para o início do século XX, mas em um cenário completamente idílico. Com um cenário que remete aos mitos das amazonas e às sociedades matriarcais, o espaço para desenvolver a trama é evidente, porém a construção acaba sendo mais rasa do que o esperado.
Em meio à Primeira Guerra Mundial, um aviador que carregava as cartas dos soldados para suas esposas cai em uma ilha misteriosa. O piloto, Céleste Bompard, se vê em um local inóspito e aparentemente deserto, até se deparar com uma aldeia formada apenas por mulheres. Elas plantam, caçam, dançam e têm sua própria estrutura social. Há apenas um homem, usado como reprodutor e serviçal. No pequeno território da ilha, o mundo é completamente diferente daquele com o qual Bompard estava acostumado.
Zanzim até pincela sátiras ao patriarcado e aos papéis sociais femininos e masculinos construídos socialmente. Há ainda espaço para o humor, sobretudo o humor gráfico. É uma pena, no entanto, que a história se mantenha apenas na superfície do que aquela combinação de elementos tinha a oferecer. A HQ acaba caindo no lugar-comum, com resoluções fáceis e até mesmo anti-climáticas.
A arte carrega um charme especial no visual cartunesco, que explora a expressão corporal e as composições de página. Apesar da arte chamativa, a impressão parece lavada, um fator que infelizmente impacta a leitura.
Publicado pela HQueria, A Ilha das Mulheres constrói uma sátira sutil, mas que dilui seu encanto em uma história quase previsível. Uma leitura que parece deixar escapar a chance de transformar sua premissa provocadora em uma reflexão mais consistente.








