De Matt Madden
224 páginas
Veneta | 2026
Tradução: Daniel Pellizzari
99 Maneiras de Contar uma História já apresenta no título sua proposta. Matt Madden explora as possibilidades narrativas dos quadrinhos ao contar a mesma história de dezenas de maneiras diferentes entre si. Ao acompanhar esse exercício, ou melhor, esse desafio, o leitor percebe todo o potencial da linguagem de quadrinhos e, de quebra, ainda conhece um pouco sobre seus códigos e recursos.
Matt Madden está trabalhando no computador, levanta-se, anda em direção à cozinha e, lá, ouve do andar de cima, sua namorada perguntar as horas. Olha o relógio, responde e, em seguida, abre a geladeira, quando se dá conta de que não se lembrava mais o que estava procurando ali. Essa é a história curta, de apenas uma página, que veremos ser contada e recontada.
O resultado poderia ser um quadrinho repetitivo, entediante, mas a proposta desafiadora torna tudo muito envolvente. O importante aqui não é a história contada, é a forma. A cada página, ficamos à espera das variações que o autor irá apresentar. Mudanças na quantidade de quadros, no traço, nas cores, no ponto de vista, no gênero e até homenagens a quadrinhos que fazem parte da história da mídia: são muitas as variações que mostram a criatividade de Madden e a amplitude de alternativas que os quadrinhos oferecem.
Na arte, passamos por diferentes escolas, da linha clara franco-belga aos quadrinhos underground, da reprodução de clássicos como Yellow Kid, Krazy Kat e Little Nemo a versões alternativas do próprio traço de Madden, brincando com luz e sombra. São muitas HQs em uma só e, ainda que nem sempre as referências sejam evidentes no primeiro momento, há um glossário ao final que ajuda a situar o leitor nos tributos prestados.
Publicado pela Veneta, 99 Maneiras de Contar uma História é uma leitura surpreendentemente cativante. Um quadrinho que transforma uma história banal em uma demonstração fascinante de como esta é uma linguagem rica e versátil.










