
Após divulgar uma série de pistas nas redes sociais, a Veneta confirmou na sexta-feira (26) o lançamento de “Pure Trance”, trabalho de estreia da aclamada artista japonesa Junko Mizuno. A obra marca o retorno da autora ao Brasil após duas décadas — sua última publicação no país havia sido “Cinderalla”, lançada pela Conrad em 2006. Com lançamento previsto para o final de julho, o volume único já está em pré-venda.
Considerado, ao lado de “Cinderalla”, um dos pilares da obra da artista, “Pure Trance” possui uma origem curiosa. Seus capítulos foram criados originalmente como pequenos livretos que acompanhavam uma série de coletâneas de música techno lançada pela gravadora Avex Trax entre 1996 e 1997. Foi em 1998, entretanto, que a editora East Press resolveu compilar as histórias em livro, resultando na edição que o leitor brasileiro terá acesso agora, com tradução de Alice Nogami.

Misturando ficção científica e horror, o mangá se passa após a Terceira Guerra Mundial, em um cenário no qual a superfície da Terra foi devastada. Os sobreviventes vivem em um refúgio subterrâneo e dependem de Pure Trance, cápsulas criadas para reproduzir o sabor dos antigos alimentos consumidos antes do cataclisma. Porém, a dieta artificial provoca graves problemas de saúde, levando muitas mulheres a clínicas de reabilitação para tratar uma fome patológica e insaciável. É nesse ambiente distópico que a enfermeira Kaori precisa cuidar das pacientes enquanto enfrenta a cruel diretora da clínica 102.
Nascida em Tóquio em 1973, Junko Mizuno chamou atenção no mercado editorial com o lançamento de seu fanzine artesanal “MINA animal DX”, em 1996. A artista costuma ser associada ao movimento gothic kawaii, estética que combina elementos de terror e erotismo com a fofura presente em arte pop japonesa para meninas. Apesar disso, Mizuno aponta como principais influências nomes como Naoko Takeuchi, Aubrey Beardsley e o francês Romain Slocombe, além da arte psicodélica e dos filmes B das décadas de 1960 e 1970.
A carreira nos quadrinhos levou a mangaká a participar de eventos como o Festival de Angoulême, em 2005 e 2006, e a San Diego Comic Con, onde é atração constante. Ao longo de sua trajetória, a “rainha da fofura e do terror”, segundo o crítico Paul Gravett, expandiu sua atuação para o cenário cultural internacional, tendo assinado pôsteres para bandas como Faith No More, Mudhoney e Melvins, além de ter desenvolvido uma edição especial do brinquedo My Little Pony a convite da Hasbro. Em 2011, por fim, a autora visitou o Brasil como uma das convidadas de destaque do Rio Comicon, extinto festival de quadrinho realizado no Rio de Janeiro.







