Nota 3.5

Ultramega

11 fevereiro 2026

De James Harren
460 páginas
Devir | 2025
Tradução: Marquito Maia

Ultramega é um caos, assumidamente caótico desde a primeira página. James Harren entrega uma homenagem aos tokusatsus recheada de violência e apelo constante ao absurdo, contando uma história de super-heróis lutando contra kaijus. A proposta é divertida e cheia de energia, muito por conta do visual, e funciona bem em vários momentos do quadrinho, mas com o avanço da leitura, acaba deixando o leitor perdido em tantos desvios narrativos.

Em um mundo devastado por uma praga cósmica que transforma pessoas em kaijus, os ultramegas surgem como a última linha de defesa do planeta. Esses três heróis, no entanto, têm um fim trágico, o que leva ao colapso do que restou da civilização. A partir daí, Harren expande, talvez até demais, sua mitologia, construindo uma aventura ambientada em um universo pós-apocalíptico sombrio, flertando com o terror cósmico, mas ainda atravessado por humor.

É no aspecto visual que Ultramega mais acerta. A arte de Harren é dinâmica, exagerada e extravagante, dando peso, ritmo e impacto a cada página. As sequências de ação são intensas e funcionam muito bem no choque imediato e no espetáculo, mesmo quando a narrativa começa a se perder.

Por outro lado, esse mesmo excesso que impulsiona o visual acaba comprometendo a leitura. A trama se ramifica demais, acumula personagens e subtramas e se torna confusa em diversos momentos.

Publicado no Brasil pela Devir, Ultramega é, no fim das contas, uma obra que não se preocupa em ser coesa. Ainda assim, há diversão nesse caos.

Carrinho atualizado