
Após um hiato de sete anos, as toalhinhas assinadas pelo quadrinista e ilustrador Hiro Kawahara retornam às bandejas do McDonald’s. De 1996 a 2019, o artista produziu centenas delas, com conteúdos que iam de curiosidades a jogos, para acompanhar a refeição entre uma mordida e outra de hambúrguer. Em clima de Copa do Mundo, a lâmina que marca a volta traz curiosidades sobre a história do torneio, que começa em junho.
A notícia, revelada pelo próprio Hiro na semana passada, foi celebrada nas redes. “Mesmo depois que saíram de circulação, em 2019, a galera nunca esqueceu. É aquela nostalgia clássica que hoje move muita coisa no entretenimento“, conta o artista ao Fora do Plástico. “Como elas passaram por um hiato relativamente pequeno, ainda estavam na memória de qualquer pessoa com mais de 15 anos que já frequentou o McDonald’s. Ou seja, existia uma comunidade potencial de fãs querendo a volta das lâminas de bandeja“, completa.
O convite para voltar foi feito no ano passado pela Agência Galeria, que tem o McDonald’s com cliente. Desde janeiro, Hiro Kawahara tem produzido as toalhinhas. Além da edição sobre a Copa do Mundo, outras três já estão prontas e há mais a caminho. O planejamento é anual, com a definição dos temas de cada mês. De acordo com Hiro, as tiragens devem ser de entre 12 e 14 milhões de unidades.
O ilustrador explica que algumas lâminas são mais institucionais, já em outras, há mais liberdade para sugerir temas. Em média, são três semanas de criação, do conceito aos textos, ilustração e revisão. “E agora tem um detalhe novo: cada lâmina ganha versão em espanhol pra circular também pela América Latina”, celebra.

Conhecido pelos leitores de quadrinhos por obras como “A Sereia da Floresta”, que rendeu ao Brasil o primeiro ouro no Japan International Manga Award, Hiro concilia a produção das toalhinhas com o desenvolvimento de suas HQs e livros infantis, além de cursos regulares e palestras. “Durante o hiato das lâminas, pude mergulhar mais nos quadrinhos e nos livros infantis, experiência que acabou voltando agora como um ponto forte. Sinto que retornei pras lâminas mais ágil e com um pensamento visual mais refinado.”
Em um período em que o uso da inteligência artificial por grandes empresas tem crescido e se tornado tema de debate, a escolha pela criação humana é significativa no olhar do próprio quadrinista. “Ao mesmo tempo, é curioso, e até um pouco triste, a gente precisar destacar isso, como se fosse algo fora do padrão, como se a produção humana fosse opcional“, pontua.
Para o artista, um projeto como esse até poderia tecnicamente ser feito por IA, porém perderia o que o torna especial: a personalidade e o cuidado nos detalhes. “Existe ali uma memória afetiva que foi respeitada. Provavelmente receberiam muitas críticas se o material fosse desenvolvido por IA”, conclui.





