Toalhinhas de bandeja do McDonald’s feitas por Hiro Kawahara retornam após sete anos

A primeira edição, que já está nas lojas da rede de fast food, traz curiosidades da Copa do Mundo.

20 maio 2026
Por Fora do Plástico

Após um hiato de sete anos, as toalhinhas assinadas pelo quadrinista e ilustrador Hiro Kawahara retornam às bandejas do McDonald’s. De 1996 a 2019, o artista produziu centenas delas, com conteúdos que iam de curiosidades a jogos, para acompanhar a refeição entre uma mordida e outra de hambúrguer. Em clima de Copa do Mundo, a lâmina que marca a volta traz curiosidades sobre a história do torneio, que começa em junho.

A notícia, revelada pelo próprio Hiro na semana passada, foi celebrada nas redes. “Mesmo depois que saíram de circulação, em 2019, a galera nunca esqueceu. É aquela nostalgia clássica que hoje move muita coisa no entretenimento“, conta o artista ao Fora do Plástico. “Como elas passaram por um hiato relativamente pequeno, ainda estavam na memória de qualquer pessoa com mais de 15 anos que já frequentou o McDonald’s. Ou seja, existia uma comunidade potencial de fãs querendo a volta das lâminas de bandeja“, completa.

O convite para voltar foi feito no ano passado pela Agência Galeria, que tem o McDonald’s com cliente. Desde janeiro, Hiro Kawahara tem produzido as toalhinhas. Além da edição sobre a Copa do Mundo, outras três já estão prontas e há mais a caminho. O planejamento é anual, com a definição dos temas de cada mês. De acordo com Hiro, as tiragens devem ser de entre 12 e 14 milhões de unidades.

O ilustrador explica que algumas lâminas são mais institucionais, já em outras, há mais liberdade para sugerir temas. Em média, são três semanas de criação, do conceito aos textos, ilustração e revisão. “E agora tem um detalhe novo: cada lâmina ganha versão em espanhol pra circular também pela América Latina”, celebra.

Conhecido pelos leitores de quadrinhos por obras como “A Sereia da Floresta”, que rendeu ao Brasil o primeiro ouro no Japan International Manga Award, Hiro concilia a produção das toalhinhas com o desenvolvimento de suas HQs e livros infantis, além de cursos regulares e palestras. “Durante o hiato das lâminas, pude mergulhar mais nos quadrinhos e nos livros infantis, experiência que acabou voltando agora como um ponto forte. Sinto que retornei pras lâminas mais ágil e com um pensamento visual mais refinado.”

Em um período em que o uso da inteligência artificial por grandes empresas tem crescido e se tornado tema de debate, a escolha pela criação humana é significativa no olhar do próprio quadrinista. “Ao mesmo tempo, é curioso, e até um pouco triste, a gente precisar destacar isso, como se fosse algo fora do padrão, como se a produção humana fosse opcional“, pontua.

Para o artista, um projeto como esse até poderia tecnicamente ser feito por IA, porém perderia o que o torna especial: a personalidade e o cuidado nos detalhes. “Existe ali uma memória afetiva que foi respeitada. Provavelmente receberiam muitas críticas se o material fosse desenvolvido por IA”, conclui.

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