De Eric Corbeyran e Roy Allan Martinez, adaptando livro de Edgar Rice Burroughs
124 páginas
Pipoca & Nanquim | 2026
Tradução: Rafael Meire
Depois de mais de um século de adaptações e releituras que transformaram Tarzan em um ícone da cultura pop, o que ainda há de novo para mostrar? A HQ de Eric Corbeyran e Roy Allan Martinez aposta em uma adaptação fiel à obra de Edgar Rice Burroughs. Porém, ainda que funcione como uma leitura competente, o quadrinho acaba deixando a desejar na arte e no carisma.
A edição da Pipoca & Nanquim compila os dois livros em um único volume, reunindo toda a jornada do filho de nobres ingleses, criado por macacos na selva africana. Com a própria identidade colocada à prova o tempo inteiro, o protagonista transita entre o mundo animal e o humano, tentando encontrar o seu lugar. É claro que, pela época em que foi escrita, a história carrega uma ingenuidade nos acontecimentos, característica que praticamente toda adaptação de Tarzan preserva em alguma medida.
Corbeyran respeita tanto o romance original de Burroughs que se dedica a descrever com detalhes a ambientação, os detalhes da selva e os acontecimentos da trama. O problema é que, justamente por seguir uma linha tão fiel, a primeira metade da HQ, quando Tarzan ainda interage pouco com outros humanos, fica monótona por conta do excesso de recordatórios e explicações.
A arte é, de longe, o ponto que menos agradou. O traço oscila bastante ao longo da HQ, em alguns momentos parece mal finalizado e inconsistente. É um visual que atrapalha a conexão com uma história tão emblemática. Nunca lemos o livro original, mas Tarzan sempre foi uma figura extremamente carismática no nosso imaginário, algo que simplesmente não sentimos nesta versão.
Tarzan – O Homem-Macaco é uma adaptação honesta e competente, que funciona inclusive como porta de entrada para novos leitores, mas que não tem o mesmo impacto de outras releituras do personagem.








