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Mulher-Maravilha: Tempestade Turbulenta

De Laurie Halse Anderson e Leila del Duca
208 páginas
Panini Comics | 2021
Tradução: Dandara Palankof

Mulher-Maravilha: Tempestade Turbulenta traz, a partir do olhar da autora best-seller Laurie Halse Anderson, uma nova abordagem para a princesa das Amazonas. Com um enfoque mais teen, afinal, a obra é voltada para este público, a HQ consegue entregar uma história bem contada, mesmo que esteja longe de ser perfeita. Aqui temos uma Diana adolescente, ainda inconstante com seus poderes e que está formando sua personalidade.

No dia de seu aniversário de 16 anos, a vida de Diana muda completamente, quando, após resgatar refugiados que chegaram à praia de Themyscira, ela se perde e deixa a ilha onde vivia. Ingênua, jovem, mas com todas as características de uma Amazona, ela passa a viver em um campo de refugiados, até chegar ao seu destino final, o bairro do Queens, em Nova York.

O objetivo de Anderson é apresentar uma HQ que não exige do leitor muito conhecimento sobre a heroína. Na verdade, aqui estamos vendo Diana se tornar a Mulher-Maravilha, porém a partir de uma perspectiva diferente. Há uma preocupação intensa em abordar alguns temas pertinentes na atualidade, como desigualdade social, a crise dos refugiados, tráfico de pessoas, etc. Nem sempre essa abordagem é feita de forma natural na trama, mas não é algo que chegou a nos incomodar, afinal, é uma maneira de apresentar essas temáticas para um público mais jovem. O grande problema de Mulher-Maravilha: Tempestade Turbulenta, na nossa opinião, é a forma abrupta como a história é concluída, tornando o final até anti-climático.

A arte de Leila del Duca traz uma bela representação da mitologia da Mulher-Maravilha, principalmente nas cenas em Themyscira. Nas cores há uma predominância de tons mais azulados e amarronzados.

É bonito ver como Diana carrega consigo uma relutância em tolerar as injustiças sociais que a cercam. Este é o ponto fundamental de Mulher-Maravilha: Tempestade Turbulenta, que torna essa uma ótima leitura para o público teen. Não só por apresentar uma Mulher-Maravilha “humana”, vivendo a adolescência, mas por usar essa trama para falar de assuntos que precisam chegar ao leitor mais jovem.