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Táxi: Histórias Passageiras

De Aimée De Jongh
64 páginas
Conrad | 2022
Tradução: Kadu Castro

De uma ideia simples, surge um quadrinho extremamente poético e carismático. Em Táxi: Histórias Passageiras, Aimée De Jongh narra quatro viagens especiais, em quatro diferentes cidades do mundo, sempre do banco de trás de um táxi. São conversas reveladoras e espontâneas, enquanto o motorista a conduz pelas ruas da cidade. Táxi escancara que mesmo em regiões e culturas tão diferentes, a humanidade tem mais em comum do que possamos imaginar.

Los Angeles, Paris, Jacarta e Washington, por onde De Jongh passa e por mais curto que seja o encontro, a conexão acontece. Essa “intimidade” entre os personagens, também é construída em conjunto com o leitor. Assim, a obra explora o fato de as viagens serem uma oportunidade de criar memórias e conexões pra vida toda. Mesmo baseada nas próprias experiências da autora, os protagonistas são os taxistas. Temas como luto, trauma e identidade aparecem por aqui, alternando emoção e humor com equilíbrio.

As histórias fluem umas para as outras, com muita suavidade, sem atrapalhar o ritmo da narrativa, de modo que os quatro passeios formam uma unidade. Mérito da habilidosa artista que De Jongh é. A autora emprega um estilo cinematográfico, repleto de close-ups e quadros dinâmicos. Tudo acentuado pelo contraste do preto e branco. Vale ressaltar que De Jongh exagera nas expressões dos personagens, chegando a torná-los caricatos, o que não nos agradou tanto. Outro ponto na história que nos incomodou, desta vez no roteiro, é que sentimos um excesso de conveniências para fazer as tramas soarem empáticas. Apesar de elas parecerem convincentes, é inevitável ter essa sensação.

Publicado no Brasil pela Conrad Editora, em poucas palavras, Táxi: Histórias Passageiras é sobre conexões entre pessoas de origens distintas. Uma obra agradável, para ler e reler.