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As Coisas Simples

De Massimiliano De Giovanni e Andrea Accardi 
128 páginas
Skript | 2023
Tradução: Paulo Guanaes

As Coisas Simples é um drama sensível centrado em Enrico e Matteo, casal homoafetivo que está se preparando para ter um filho. Entretanto, para além da desconfiança e dos preconceitos que vão enfrentar, Matteo descobre que está doente, o que vai impactar seus planos. Lançada pela Skript, a HQ italiana de Massimiliano De Giovanni e Andrea Accardi é um olhar incisivo sobre o que a comunidade LGBTQIAPN+ experimenta diariamente e também como uma doença pode mudar a perspectiva de uma família.

Enrico e Matteo são casados, estão na faixa dos 40 anos e decidem ter uma criança. Eles já até definiram o método, optaram por uma barriga de aluguel. Se não bastasse a luta pelo respeito, os dois enfrentam a hostilidade de amigos e familiares que não conseguem compreender ou aceitar a decisão do casal.

A narrativa do quadrinho é composta por diferentes linhas temporais que mostram desde o florescer do sonho de serem pais à descoberta da doença de Matteo. Com idas e vindas, o roteiro vai se tornando angustiante, com a sensação de que algo trágico vai acontecer e essa percepção é um golpe ainda mais duro, quando vemos momentos de felicidades e planos sendo criados.

A nossa principal crítica ao enredo de De Giovanni são os atalhos dramáticos que ele utiliza para resolver situações da trama, além da falta de desenvolvimento da proposta inicial. Quanto mais dramático fica o quadrinho, mais a ideia de apresentar uma família homoafetiva sendo construída é deixada de lado.

Sobre a arte de Accardi, temos um sentimento ambíguo. Por mais que ele consiga criar bons cenários, as expressões dos personagens e as proporções dos corpos ficam muito aquém. As cores são um indício dos tempos retratados no roteiro, com os momentos de sofrimentos associados a cores frias.

As Coisas Simples mostra um mundo que agride, quando deveria respeitar. Uma história comovente sobre intolerância, família e desejos.

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Ano Zero: Sobreviventes

De Benjamin Percy e Juan José Ryp e Frank Martin
120 páginas
Skript | 2023
Tradução: Mario Luiz C. Barroso

Mesmo não propondo nada que você já não tenha visto sobre apocalipse zumbi, o primeiro volume de Ano Zero, HQ publicada pela Skript Editora, se provou uma leitura divertida. Contudo, apesar de reprisar a estrutura narrativa vista na edição anterior, Benjamin Percy se perde no roteiro e toma decisões tão ruins neste segundo volume que nos fazem perder interesse pelo título.

Quatro novas tramas, de diferentes personagens, em um mundo dominado por mortos-vivos. Por mais que Percy tenha sentido a necessidade de espelhar todos os elementos da primeira edição, a repetição da fórmula está longe de ser o problema aqui. O segundo volume de Ano Zero despenca de qualidade por conta do seu roteiro.

Temos um amontoado de personagens com os quais você não poderia se importar menos, diálogos sem graça na grande maioria da trama e um desenvolvimento tão irracional que chega a ser patético. Há que se comentar também sobre o uso indiscriminado de estereótipos na construção dos personagens, o que só torna esses protagonistas mais desinteressantes. Talvez o único ponto de destaque são as cenas de ação, mas as coisas boas param por aí.

Uma nova equipe de ilustradores faz parte desta edição. Juan José Ryp e Frank Martin são os responsáveis pelas artes e, ainda que seus desenhos busquem expressividade, o resultado são quadros endurecidos, em que a narrativa parece acontecer em flashes.

Ano Zero 2 é uma leitura que, infelizmente, pode fazer você querer o seu tempo de volta. Ao contrário do primeiro volume, que estava longe de ser incrível, mas era um bom entretenimento, esta edição não chega sequer a ser um passatempo.

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Yasuke

De Isaac Santos
156 páginas
Skript | 2023

Yasuke é uma figura histórica japonesa. Um imigrante africano do século XVI que foi para o Japão como servo de comerciantes e em pouco tempo alcançou o posto de samurai, o primeiro negro da história. Baseado neste personagem real, a HQ de Isaac Santos (que leva o nome do guerreiro) reconta essa trajetória incomum, que definitivamente não pode desaparecer.

Embora carregue o status de samurai lendário, não há muitos detalhes sobre sua existência. Assim, Isaac teve a liberdade de criar a sua própria versão do mito Yasuke, mantendo o contexto histórico e partes de sua vida que foram registradas. A principal delas é a relação com Oda Nobunaga, um poderoso senhor feudal que tentou unificar o Japão.

É neste ponto da história que Isaac foca seu quadrinho: a relação de amizade entre os dois personagens. Do alvoroço que causou quando foi visto pela primeira vez por Nobunaga à sua ascensão à elite samurai.

A visão do autor é bastante convincente, trazendo uma construção do personagem muito bem feita. É interessante ver Yasuke lidando com sua origem africana, lealdade e a honra samurai. No entanto, a HQ sofre um pouco com o ritmo e a estrutura narrativa. Talvez, pelo espaço que o autor teve para contar suas ideias ou pela falta de mais registros reais. Na nossa visão, alguns arcos vistos aqui ficam subdesenvolvidos o que acabou comprometendo o ritmo de leitura.

De tudo o que envolve a publicação, o que mais chamou nossa atenção foi a estética da obra. As ilustrações e cores de Isaac Santos reforçam a beleza desta “representação histórica”, com contornos e detalhes estéticos que dão nuances ao personagem.

Publicado pela Skript, o quadrinho supera seus problemas na narrativa com uma aventura convincente e visualmente bonita. Yasuke é uma figura que não pode ser esquecida pela história, que merece ser lembrado ao lado dos grandes samurais, e é exatamente essa a preocupação de Isaac.

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Napoleone: Além dos confins das esferas estelares

De Carlo Ambrosini
312 páginas
Skript | 2023
Tradução: Paulo Guanaes

Napoleone Di Carlo é um ex-detetive que vive agora em Genebra, administrando seu pequeno hotel. Apesar de tentar levar uma vida solitária, longe da sua antiga profissão, ele não consegue ignorar seu instinto policial e acaba colaborando com investigações na cidade. Escrito e desenhado por Carlo Ambrosini, Napoleone: Além dos confins das esferas estelares reúne três histórias dessa longeva série da Bonelli, que traz um toque muito particular em sua aventura noir, ao misturar a fantasia e o real.

Iniciada pela Bonelli em 1997, Napoleone durou 10 anos e chegou a 54 volumes. As histórias Olho de Vidro, História de Allegra e A Vida Perdida, publicadas originalmente nas edições 1, 4 e 25, compõem este livro. E é possível dizer que as edições contextualizam bem o universo da série.

As três tramas apresentadas se desenvolvem em uma estrutura narrativa bem parecida, com aleatoriedades que levam a encrenca até o protagonista. O enredo sempre é centrado no crime e na investigação, porém foge um pouco do convencional por entrelaçá-los com elementos surreais. Isso porque Napoleone conversa com manifestações do seu inconsciente, obviamente, invisíveis aos demais. Faísca, Caliendo e Lucrécia, personagens da sua imaginação, interagem com a realidade do protagonista.

Vale dizer, a propósito, que A Vida Perdida e Olho de Vidro foram as histórias que mais nos empolgaram. Já História de Allegra, embora tenha um mistério interessante, acaba perdendo a mão pelo exagero do fantástico. Ainda sim, nenhuma delas fez nossos olhos brilharem exatamente. Tratando-se de um quadrinho de investigação policial, sentimos falta daquela trama que te sufoca, que te prende do início ao fim.

Na arte, tivemos um misto de sentimentos. Em grande parte do quadrinho o desenho é bonito e funcional. No entanto, o traço de Ambrosini parece menos apurado em alguns quadros, com pouca nitidez. O que contrasta com a maior parte do livro e pode dificultar a compreensão de cenas.

Napoleone, HQ da Skript Editora, é um quadrinho divertido, com um protagonista simpático e histórias que, apesar das conveniências, vão agradar o público-alvo.

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Fala, Maria: Um Romance Gráfico Sobre o Autismo

De Bef
150 páginas
Skript | 2020
Tradução: Jotapê Martins

Com sensibilidade e cuidado, o mexicano Bef trouxe ao mundo Fala, Maria, lançamento da editora Skript. Autobiográfica, a trama não demora a fisgar o leitor e mescla atributos opostos: Fala, Maria é pesada e intensa, ao mesmo tempo em que é leve e delicada. Logo nas primeiras páginas da HQ sabemos a temática central da obra: Maria, a filha mais velha do autor, é diagnosticada com Transtorno do Espectro Autista (TEA).

Bef é didático ao explicar o que levou à descoberta da condição da pequena. Alguns dos principais sinais do espectro são apresentados e passamos a entender melhor como ele afeta o núcleo familiar do artista. Há aqui uma sinceridade que nos lembra a de Fabien Toulmé, em Não Era Você Que Eu Esperava. O quadrinista demonstra não só sua preocupação com o futuro de Maria, mas também sentimentos mais amargos, como a inveja.

Para leitores que são pais ou mães, a HQ pode ser especialmente tocante. Em alguns momentos, sentimos que Bef se apressa um pouco com as soluções ou se alonga demais em outros pensamentos. Nada que afete a obra como um todo, claro. Um acerto é o uso do traço cartunesco e de algumas alegorias ao longo da HQ. As cores, em uma paleta fria, com dominância do azul, remetem ao tom símbolo do TEA.

Fala, Maria é uma bela aposta da Skript, trazer uma trama tão íntima de Bef é uma boa forma de apresentá-los aos brasileiros, e ainda abordando um tema que é absolutamente importante.

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Ano Zero

De Benjamin Percy, Ramon Rosanas e Lee Loughridge
140 páginas
Skript | 2021
Tradução: Mario Luiz C. Barroso

Mesmo com uma premissa já desgastada, Ano Zero, de Benjamin Percy e Ramon Rosanas, é uma boa surpresa. Um quadrinho sobre diferentes pessoas, de diferentes lugares, tentando sobreviver em um mundo dominado por zumbis. A trama nada inovadora na abordagem dos mortos-vivos não vai ser um obstáculo para te impedir de gostar desta HQ, que apesar dos clichês garante momentos divertidos.

Neste volume, publicado pela Skript Editora, acompanhamos o apocalipse zumbi sob a perspectiva de cinco personagens. Com cada um, à sua maneira, buscando sobreviver. O quadrinho é rápido, de bom ritmo, com acontecimentos que prendem o leitor. Aqui, o suspense é muito bem utilizado.

Entretanto, alguns pontos fazem a obra tropeçar, como não existir qualquer desenvolvimento do elenco. Durante a leitura, você não sente qualquer empatia pelos personagens, é difícil você se importar com alguém ali. Além disso, suas histórias não se conectam. Parece que os núcleos estão “jogados”. Na verdade, a única relação é a luta pela sobrevivência. Sentimos que essa edição foca mais em apresentar o universo do quadrinho, como se fosse o primeiro arco de algo maior.

Rendendo bons momentos, apesar das oscilações no roteiro, Ano Zero é uma série que não vai te exigir muito, e irá garantir uma leitura divertida e despretensiosa.

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Robert Johnson – O Cão da Encruzilhada

De Estevão Ribeiro, Rob Saint, Sandro Zambi e Ítalo Silva
56 páginas
Skript | 2021

Figura lendária da música, Robert Johnson é famoso por ter influenciado gerações de músicos e também sobre seu suposto pacto com o diabo. Reza a lenda que o bluesman teria dado a alma ao demônio em troca de habilidade e sucesso. É justamente sobre essa aura mística que envolveu a meteórica carreira de Johnson que O Cão da Encruzilhada, de Estevão Ribeiro, Rob Saint, Sandro Zambi e Ítalo Silva, busca retratar. Com uma mescla entre realidade e ficção, a HQ publicada pela Skript Editora leva o leitor ao Mississipi para conhecer o protagonista e sua história.

A trama usa como base os poucos fatos que são conhecidos da vida do músico. A trama se inicia com Johnson já debilitado, após beber whisky envenenado. Em seu leito de morte, ele conta para a camareira Virginia suas origens; sua devoção pelo blues e como foi feito o famoso pacto, em uma encruzilhada. A trama consegue, mesmo em poucas páginas, retratar bem a trajetória do músico. Para além do aspecto biográfico, O Cão da Encruzilhada flerta com a fantasia ao trazer bastante misticismo para a obra, por meio das escolhas de roteiro de Estevão Ribeiro. Algumas questões parecem resolvidas de maneira muito simples, porém, o final da trama não chega a ser comprometido.

Na arte, Rob Saint usa o preto e branco e os coloristas Sandro Zambi e Ítalo Silva acrescentam um tom azulado, quase violeta, para os momentos mais místicos da trama. Isso dá um destaque especial para algumas cenas do quadrinho. O desenhista consegue transportar o leitor para aquelas cenas, com uma boa ambientação e uma diagramação fluida dos quadros. Destaque também para o formato do quadrinho, que faz alusão a um disco de vinil.

Um trabalho bem executado da dupla, O Cão da Encruzilhada é uma leitura que é perfeita para os fãs de música. É possível conhecer a vida de Robert Johnson (com um toque extra autoral, é claro) em uma boa imersão com esta história.

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Ligeiro Amargor: Uma História do Chá

De Elanni, Djaï e Koffi Roger N’Guessan
76 páginas
Skript | 2021
Tradução: Maria Emília Palha Faria

Ligeiro Amargor: uma História do Chá tem uma premissa convidativa e promete, logo nas primeiras páginas, desenvolver o nosso conhecimento sobre uma bebida que é universal. No entanto, a HQ não usa todo o seu potencial e acaba se perdendo em uma história que não empolga, mesmo tendo ótimos elementos, que poderiam ser mais bem aproveitados.

O roteiro da dupla Elanni e Djaï usa a história de Adjoua, desde a infância, para trazer em paralelo perspectivas sobre a popularização do chá ao redor do mundo. A protagonista é uma mulher nascida na Costa do Marfim e que, quando adulta, percorre o mundo como fotógrafa. Em três situações e tempos distintos, vemos Adjoua tomar chá e conversar com outros personagens sobre a cultura desta bebida tão popular.

Como dissemos, a história apresenta bons elementos para o leitor, no entanto, se torna um encadeamento de situações um pouco desconexas. O roteiro fica só na superfície dos dois ângulos que a trama propõe: a discussão da história do chá e a vida de Adjoua. Toda a parte histórica é muito interessante e bem apresentada e, talvez, se o quadrinho tivesse mais páginas para apresentar melhor essas duas faces, ele seria mais envolvente.

A arte do marfinense Koffi Roger N’Guessan é um pouco rígida nos movimentos, mas é bastante competente e não compromete em nada o quadrinho. A maneira como ele altera entre as partes históricas e a ficção é bem feita e, como um todo, a arte é harmônica com o roteiro.

Ligeiro Amargor é o primeiro quadrinho do selo de HQs africanas da Skript Editora. E, por mais que a obra não seja tão aprofundada como esperávamos, é excelente saber que materiais como este estão chegando ao Brasil e que mais pessoas podem, finalmente, ter acesso a quadrinhos de diferentes autores e regiões.

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Horror Cósmico

De Aapo Rapi e Peppe Koivunen
100 páginas
Skript | 2021
Tradução: Márcio dos Santos Rodrigues

Com uma história nonsense, o quadrinho finlandês Horror Cósmico usa elementos clássicos do horror para produzir uma trama original, mesmo que seja cheia de referências. Aapo Rapi e Peppe Koivunen trazem o conde Drácula e seu ajudante Igor buscando afastar o tédio da existência eterna contando histórias, discutindo autores, fumando e tocando órgão. Certa noite, a rotina de ambos muda, quando um funcionário do governo bate à porta do castelo onde vivem.

A partir disso, a trama vai se tornando cada vez mais lisérgica. Apesar de ser uma obra que não deixa de lado o seu tom fantástico, o quadrinho consegue deixar nas entrelinhas críticas à sociedade e à lógica produtivista. Esse olhar mais aprofundado sobre a obra pode ser evidenciado a partir dos textos de apoio (de Márcio dos Santos Rodrigues e de Alexandre Linck) que a compõem e que tornam o nonsense mais “lógico”.

Dito isso, devemos ressaltar: Horror Cósmico pode não ser um quadrinho para todo mundo. Essa é daquelas tramas em que a leitura pode parecer um encadeamento de situações bem-humoradas, neste caso, envolvendo monstros em um mundo no qual não se encaixam. Há, sim, outras camadas por trás, mas talvez nem todos os leitores se sintam convencidos por elas.

A arte e a narrativa são o grande diferencial nesta HQ, na nossa opinião. Com cores vibrantes e uma estética gótica, o quadrinho busca referências estéticas diversas para construir um visual que nos conquistou ao primeiro olhar.

Horror Cósmico não é brilhante, não é um quadrinho que funciona para todos públicos, mas é definitivamente uma obra original. Aapo Rapi e Peppe Koivunen criam situações anedóticas para falar, no fim das contas, um pouco sobre a amizade e nos convidar a pensar sobre a eternidade.

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Popeye: Um Homem Ao Mar

De Ozanam e Lelis
120 páginas
Skript | 2021
Tradução: Márcio dos Santos Rodrigues e Mônica Cristina Corrêa

O marinheiro Popeye é daqueles personagens que transcendem. Mesmo que seu contato com ele não tenha sido tão intenso, a figura do marinheiro rabugento, comedor de espinafre, é clássica e reconhecível para diversas gerações, mesmo que de maneiras diferentes. O que Ozanam e Lelis fazem em Popeye – Homem Ao Mar, publicado no Brasil pela Skript, é uma bela homenagem ao personagem e sua origem, numa HQ que usa os elementos clássicos da obra de E. C. Segar, transportados para um mundo mais realista.

O enredo traz um Popeye entristecido pela queda na pescaria. Assim, ele decide, ao lado de seu amigo Bosco, partir para a cidade em busca de uma oportunidade de emprego. Em paralelo, temos Olivia e seu irmão Castor, que está em busca de um tesouro, deixado por um navio inglês perseguido por piratas. Ah, e também conhecemos Dudu, o pai de Popeye e Bluto, que fazem pontas ocasionais ao longo da HQ. Assim, o roteiro vai costurando situações que transitam entre dilemas do mundo real e situações curiosas, envolvendo esses personagens, em referências às obras originais.

Não é novidade que Popeye tem uma relação bonita com o mar. E algumas das cenas mais poéticas dessa HQ são justamente os diálogos entre o marinheiro e o oceano, com confidências e indagações. Apesar de um tom melancólico presente durante toda a obra, a releitura de Lelis e Ozanam também flerta com o humor característico das histórias do personagem. Temos brigas, diálogos engraçados e, claro, bordões como “macacos me mordam”, mesmo que essa seja uma releitura mais “pé no chão”.

A arte de Lelis casa perfeitamente com a obra. Sem dúvidas, é o grande destaque da HQ, na nossa opinião. Os traços são dinâmicos e trazem um toque de fantasia para a obra, principalmente nas cores.

Pode ser que o leitor menos familiarizado com Popeye não tenha a mesma sensação nostálgica que a obra pode provocar. Mas a homenagem está feita, até mesmo nos detalhes, como vemos ao final. Não temos aqui uma aventura, nem um drama, tampouco uma comédia. O que predomina é o tom de releitura. Conhecemos aqueles personagens, mas a maneira como eles são apresentados a nós é original.