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Mau Caminho

De Simon Hanselmann
176 páginas
Veneta | 2020
Tradução: Diego Gerlach

Ácido e engraçado, mas ao mesmo tempo depressivo, Mau Caminho é um quadrinho que dificilmente é parecido com qualquer coisa que você já tenha lido. A comédia nonsense de Simon Hanselmann é aquele exemplo de obra que, pela sinopse, talvez você não daria tanta atenção. Poderia até pensar que a trama não faz o menor sentido. Mas, aqui, temos uma HQ muito bem feita, que trabalha com o humor em cenários deprimentes.

A história acompanha o cotidiano da bruxa Meg e o seu namorado gato, Mogg. Embora utilize seres antropomórficos como personagens recorrentes, o autor explora, através do relacionamento dos protagonistas, temas muito reais como o abuso de drogas, amizades, pobreza e a depressão.

A HQ faz parte de uma série criada por Hanselmann que, apesar de ainda inédita no Brasil, não afetou na experiência de leitura. Isso porque o autor faz um breve resumo no início da obra, norteando o leitor sobre o que aconteceu anteriormente. Mesmo sendo cativados de primeira pelo quadrinho, precisamos confessar que essa não é uma obra para todos, principalmente por seu tom ímpar.

Na arte, o quadrinista reforça bem o estilo cômico e inventivo da obra com traços caricatos e cores fortes. Isso funciona muito bem e agrega muito humor à trama.

Mau Caminho nos surpreendeu pelo seu tom engraçado, inteligente e sombrio. Esperamos que a Veneta tenha planos de publicar mais aventuras de Meg e Mogg. Afinal, temos aqui uma obra extremamente original e inusitada.

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Zona de Crise

De Simon Hanselmann
296 páginas
Veneta | 2022

Tradução: Diego Gerlach

A Pandemia de COVID-19 segue afetando nossa rotina, mas foi em 2020 que ela mudou o mundo e a vida das pessoas para sempre. Publicada em formato de tiras diárias no Instagram, durante o primeiro ano de pandemia, Zona de Crise, de Simon Hanselmann, é uma aventura maluca, terrivelmente engraçada, sobre esse momento deprimente recente. Apesar de sua habitual distorção da realidade, Hanselmann captura bem o espírito e o clima de terror que assolou a sociedade.

Na HQ, testemunhamos a jornada de Megg, Mogg, Coruja e Lobisomem Jones para sobreviver à COVID-19. Ao mesmo tempo em que o autor mostra, de forma bem exagerada, os personagens lidando com os medos que envolvem a situação, ele aborda de forma mais sutil os problemas emocionais. Essa é uma característica forte nos trabalhos de Simon: usar do absurdo e da irreverência para atingir os leitores com assuntos sérios. No entanto, como de costume, ele também não deixa de tirar sarro de tudo e todos, ridicularizando comportamentos da sociedade.

Mesmo que os personagens já tenham aparecido em “Mau Caminho”, quadrinho anterior do autor publicado no Brasil, o conhecimento prévio do “universo Hanselmann” não é necessário para a leitura, mas, é claro, melhora a experiência. Assim como nos demais quadrinhos protagonizados por esses personagens, o quadrinista usa um estilo cartunesco na arte, que soma para o tom cômico da obra.

Zona de Crise é a melhor representação do que foi o início da pandemia. Uma viagem angustiante, através de uma realidade ficcional, sobre um momento extremamente real. Perturbador, engraçado e provocativo, Zona de Crise é um caos total, no melhor dos sentidos.

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Rosie na Floresta

De Nathan Cowdry
136 páginas
Veneta I 2022
Tradução: Cris Siqueira

Quando folheamos Rosie na Floresta, a primeira coisa que vem à cabeça é o humor ácido e provocativo dos quadrinhos de Simon Hanselmann. No entanto, a comparação não passa desse olhar rápido pelo roteiro nonsense e personagens estranhos. Em Rosie na Floresta, de Nathan Cowdry, a aventura maluca não tem a mesma naturalidade do enredo das obras de seu “padrinho” Hanselmann. É tudo gratuito, sem rumo.

A história começa com um casal de cristãos se casando em um barco na Amazônia. Logo, avistam um cachorro amarrado entre as árvores, sangrando, com as tripas para fora. Em uma clínica veterinária na Colômbia, esse cachorro, chamado Denton, recupera a consciência e lembra os acontecimentos. A partir daí, Cowdry nos leva para uma trama maluca por meio de flashbacks recheados de absurdos.

 

Na arte, é evidente a inspiração em mangás, principalmente na caracterização dos personagens. Algumas cenas são particularmente desconfortáveis pelo fato de as personagens parecerem infantilizadas, enquanto outras funcionam bem com o contexto nonsense apresentado (a maioria envolvendo o cãozinho Denton).

O grande problema de Rosie na Floresta, na nossa visão, é a falta de substância. São vários elementos jogados de qualquer maneira, sem a menor preocupação em dar uma consistência para aquilo. A impressão é que o autor desenvolve a sua história apenas para chocar, mas acaba deixando o roteiro vazio e gratuito, principalmente no terço final da obra.

Diferente de Zona de Crise e Mau Caminho, obras de Simon Hanselmann, também publicadas pela Veneta e que sabem trabalhar o humor pervertido e “caótico”, Rosie na Floresta apenas não convence.