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Henri Désiré Landru

De Christophe Chabouté 
148 páginas
Pipoca & Nanquim | 2020
Tradução: Maria Clara Carneiro

Chabouté é muito habilidoso em construir narrativas gráficas belíssimas. O autor francês tem como característica marcante usar poucos textos para construir suas histórias. Agora, em Henri Désiré Landru vemos uma narrativa mais povoada pelos balões, embora ainda deixe o desenvolvimento da trama muito a cargo da percepção do leitor. Chabouté conta a história de um dos mais famosos serial killers da França, só que com as liberdades que a ficção permite.

É importante deixar claro que a versão do autor é povoada de elementos que realmente fizeram parte da vida do homem barbudo e calvo, que atraia mulheres viúvas (de maridos mortos na 1ª Guerra Mundial) por meio de anúncios de jornal. Só que, ao contrário do que se sabe sobre o Landru que realmente viveu na França entre o fim do século XIX e o início do século XX, o protagonista do quadrinho de Chabouté é coagido a adotar o “modus operandi” que o tornou famoso.

Embora tenha um bom ritmo e uma fluidez típica das obras do artista, Henri Désiré Landru não nos empolgou tanto na condução da trama. Sentimos que o autor se alongou em momentos que deixaram a trama um pouco repetitiva. Não que esse não seja um bom quadrinho, mas, para nós, essa é a história menos memorável do quadrinista até aqui.

Dono de uma arte lindíssima, apesar dos rostos que normalmente causam uma certa confusão entre personagens por aqui, Chabouté ousou ao trazer um outro olhar para uma história até bastante conhecida. Ótima pedida para quem gosta de temas como serial killers!

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Green River Killer

De Jeff Jensen e Jonathan Case
248 páginas
DarkSide Books | 2021
Tradução: Érico Assis

Green River Killer, de Jeff Jensen e Jonathan Case, conta a história de um dos maiores serial killers dos Estados Unidos. Gary Ridgway assassinou várias mulheres a partir dos anos 80 e, neste quadrinho, sob a ótica de Tom Jensen, detetive responsável por investigar os crimes do assassino, acompanhamos o avanço da investigação até a captura do criminoso e seus reflexos na vida do detetive. O detalhe interessante é que o Jensen que assina a obra é filho do investigador responsável pelo caso.

A HQ envolve o leitor principalmente na parte dedicada à investigação. Inclusive, quem não conhece a história do assassino chega duvidar do suspeito ao longo da leitura, pelo fato de Gary dar informações muito imprecisas. Outro ponto interessante é como o autor explora bem o desgaste emocional de seu pai e como a obsessão dele pela investigação afetou sua família. Esse desgaste fica ainda mais evidente quando o detetive percebe que o réu não demonstra qualquer tipo de interesse pelas vítimas a ponto de nem lembrar como elas eram, seus nomes, enfim. Sobre a montagem da narrativa, a trama vai e volta no tempo e isso pode confundir o leitor em certos momentos, pela forma de como os acontecimentos são narrados.

Ao mesmo tempo que Green River Killer é uma história de investigação, também é uma história de pai e filho. E esse tom de homenagem ao legado do pai nos trouxe uma sensação de que a obra não explora traços distintos da vida de Jensen. O investigador é retratado como uma pessoa “boa” demais. Isso não chega a atrapalhar a HQ, mas há, sem dúvidas, uma unilateralidade ali.

O traço de Jonathan Case é todo em preto e branco e com um contraste pontual. A arte como um todo não nos chamou tanta atenção, mas também não compromete o quadrinho.

Green River Killer é uma obra simples, mas intrigante, que nos leva a conhecer sobre a investigação de um dos maiores assassinos dos Estados Unidos. O final é muito bom e vale a pena entender o caso pela perspectiva do detetive e, principalmente, como isso afetou sua família.