Publicado em

Reckless: Amigo do Demônio (Vol.2)

De Ed Brubaker e Sean Phillips
144 páginas
Mino | 2023
Tradução: Dandara Palankof

Reckless é como uma série de TV procedural, em que a cada episódio um caso é resolvido. Mesmo que os volumes da série de Ed Brubaker e Sean Phillips compartilhem uma referência ou outra, a estrutura de cada um é isolada. São histórias fechadas, em meio a um universo em construção, com personagens que também estão em constante desenvolvimento.

Em Amigo do Demônio, o segundo livro da série, estamos em 1985. Ethan Reckless, nosso protagonista, um ex-agente do FBI que trabalha resolvendo problemas de pessoas que não podem recorrer às autoridades, acaba se envolvendo com a jovem Linh Tran, em uma de suas investigações. Tudo seguia normal, até que, em um de seus encontros, Linh vê sua irmã desaparecida há anos, como figurante em um filme de baixo orçamento. Então, Ethan decide descobrir o seu paradeiro e é arrastado para os bastidores sombrios de Hollywood.

Embora a história não tenha grandes surpresas do ponto de vista estrutural, o roteiro de Brubaker é inteligente o suficiente para te fazer não desgrudar da HQ. A narração em primeira pessoa, uma característica do autor, é essencial para o envolvimento na trama. E, falando nisso, mais uma vez o roteirista aborda Hollywood e seu lado sombrio, misturando o tema a seitas satânicas. Há de se destacar que, diferente do habitual, a violência não está tão presente neste volume. Amigo do Demônio é uma história mais investigativa, sem tanta ação.

Quanto aos desenhos de Sean Phillips, o que falar? O visual nunca deixa a desejar, com um uso de sombras poderoso e ótima ambientação da época em que a trama se passa . As ilustrações e a forma de contar a história são parte do que mantém os trabalhos da dupla acima da média.

Como esperado, já que estamos falando de Ed Brubaker e Sean Phillips, Reckless – Amigo do Demônio é uma boa leitura, mesmo que esteja distante de suas obras mais fascinantes. Uma história bem contada e envolvente.

Publicado em

Verão Cruel

De Ed Brubaker e Sean Phillips
288 páginas
Mino | 2023
Tradução: Dandara Palankof

Estruturada em torno da família Lawless, Verão Cruel se concentra na relação entre Ricky e seu pai Teeg. Aqueles que já experimentaram a antologia Criminal sabem que essa família orbita a série de Ed Brubaker e Sean Phillips, mas Teeg Lawless, apesar de ser regularmente mencionado, nunca foi definitivamente desenvolvido. Não até aqui. Em Verão Cruel várias peças do mosaico dessa família se encaixam.

Nesta história ambientada em 1988, testemunhamos a relação tempestuosa entre Ricky, o caçula dos Lawless, e seu pai. Vamos conhecer a adolescência desse jovem que é forçado a crescer num contexto de abuso e de crimes. Teeg, um homem violento, acabara de ser solto da cadeia, tendo sua fiança paga pelo filho, que depois de um período no reformatório, tem tido cada vez mais impulsos criminosos. O conflito entre os dois se acentua com o aparecimento de uma mulher por quem Teeg se apaixona e a quem Ricky tem dificuldade de aceitar. Assistiremos, então, através de múltiplas perspectivas a autodestruição sendo passada de geração em geração. O roteiro de Ed Brubaker é, como sempre, implacável e bem elaborado, com uma construção deliciosa.

O leitor de Criminal irá reconhecer vários personagens e terá a oportunidade de conhecê-los com mais profundidade, o que sem dúvidas traz uma visão mais completa da série como um todo. Para aqueles que ainda não se aventuraram por esse caminho, este volume único funciona de qualquer maneira, independente de seu conhecimento prévio da série.

Visualmente, os desenhos de Sean Phillips seguem o estilo que acompanhamos dos outros quadrinhos da dupla, porém as cores feitas pelo seu filho Jacob talvez sejam o grande diferencial no visual da história.

Publicado no Brasil pela Mino, Verão Cruel é uma das melhores histórias que lemos de Brubaker, a quem já consideramos um escritor sempre acima da média. Tudo ao redor de Criminal passa a sensação de desesperança e melancolia. Curiosamente, invejamos aqueles que nunca tiveram contato com esse universo e estão prestes a descobrir e viver tudo isso.

Publicado em

Cena do Crime

De Ed Brubaker, Michal Lark e Sean Phillips
128 páginas
Mino | 2023
Tradução: Dandara Palankof

Foi aqui que tudo começou. Antes de suas séries aclamadíssimas, Ed Brubaker esboçou, com Cena do Crime, o que viria a ser para os quadrinhos noir. Embora ainda longe da sua melhor fase, como é de se imaginar, visto que foi um de seus primeiros trabalhos, originalmente publicado em 1999. Nesta obra detetivesca é possível ver sendo construídos alguns dos alicerces que levaram o roteirista a ser reconhecido como um dos grandes contadores de histórias da sua geração.

Jack Herriman, um detetive particular, é contratado para encontrar Maggie Jordan. A busca pela jovem desaparecida coloca o protagonista frente a uma seita hippie, um culto sexual do qual supostamente a garota fazia parte. A partir desse pontapé, o leitor vai acompanhar uma investigação que se revelará muito mais sombria do que parece.

Cena do Crime é uma típica história de detetive, que te prende com um mistério e aos poucos vai trazendo respostas, inclusive sobre o passado do nosso herói. Personagens decadentes são uma característica marcante nas obras de Brubaker e o protagonista Jack Herriman é um detetive autodestrutivo que já passou maus bocados.

Ainda que muito bem estruturada e envolvente, a história tem uma narrativa mais engessada e lenta, talvez pelo excesso de texto. A sensação é que Brubaker abusa de um recurso que ele desenvolveria mais tarde em outras obras, a narração. Certamente, aqui ainda não moldada pela experiência.

Michal Lark, parceiro do roteirista em Gotham DPGC, é o responsável pelos desenhos. Com todo um clima sombrio apropriado para o tipo de história, o traço deixa a desejar quando focamos em algumas expressões e proporções dos personagens. Porém, o conjunto é bem decente. Vale dizer que Sean Phillips participa como arte-finalista.

Cena do Crime não vai decepcionar nenhum leitor de Brubaker. É, sim, uma obra com um enredo mais familiar, que fica em uma prateleira abaixo de seus outros trabalhos, mas de forma alguma é um quadrinho que deixa de valer a leitura.

Publicado em

Criminal – O Último dos Inocentes, Vol.6

De Ed Brubaker e Sean Phillips
112 páginas
Mino | 2023
Tradução: Dandara Palankof

O Último dos Inocentes é o volume mais “afastado” da antologia Criminal. Apesar de todos os elementos do universo da série estarem aqui, é neste sexto volume que Ed Brubaker e Sean Phillips dão um passo à frente e oferecem a história mais ambiciosa. Um volume em que, depois de tudo, os autores conseguem nos surpreender dentro da própria franquia, se reinventando.

Na história, Riley Richards viaja à sua cidade natal para visitar seu pai, que acaba de descobrir que tem câncer. Enriquecido graças ao casamento com sua rica e bela esposa, Riley se vê esgotado e infeliz. Todos esses sentimentos vêm à tona quando ele encontra seus amigos de infância e relembra da juventude que abandonou. Temos então um protagonista arrependido de suas escolhas, da vida que não viveu e, principalmente, disposto a sacrificar tudo para recomeçar. Um recomeço que, em hipótese alguma, considera a perda do seu atual patrimônio.

A narrativa, os diálogos, a construção dos personagens, tudo é muito bem escrito, mais uma vez. Porém, gostaríamos de chamar atenção para a forma como Brubaker brinca com o leitor, ao desenvolver a dualidade do personagem principal. Logo no início, despertamos certa simpatia pelo protagonista. Vemos Riley como um coitado, como uma vítima de seus vícios, traído pela esposa e cheio de arrependimentos. Mas, pouco a pouco, o roteirista prega uma peça e nos dá uma inversão de perspectiva, quando o protagonista se mostra disposto a cometer crimes, trair amizades e memórias. A, de fato, perder sua inocência.

As ilustrações seguem com tom realista e sombrio, convincente com o cenário decadente da trama. Além de seu estilo habitual, neste livro, Phillips muda seu traço nos flashbacks, parodiando Archie. Uma paródia que não se limita à arte, o roteiro também pode ser uma versão adulta das histórias românticas que figuravam nas revistas de Archie.

Criminal: O Último dos Inocentes foge do lugar comum, dentro de uma série já muito bem estabelecida, em que seria fácil reproduzir apenas uma fórmula. O sexto volume é mais do que uma boa HQ de Criminal, é o auge da série até aqui, em uma obra intensa, que nos instiga do princípio ao fim.

Publicado em

Criminal – Os Pecadores, Vol.5

De Ed Brubaker e Sean Phillips
144 páginas
Mino I 2022
Tradução: Dandara Palankof

Tracy Lawless está de volta! O ex-militar que vimos em busca de vingança, no segundo volume de Criminal, retorna à antologia em uma história que se passa um ano após os eventos de “Lawless”. Se você leu outros volumes da série, já sabe o que esperar. Sem trazer nada de realmente novo, mas fiel às raízes do gênero, Os Pecadores é um arco envolvente, sólido, com uma atmosfera crescente de tensão, que é muito bem trabalhada pelos autores.

Ed Brubaker e Sean Phillips se aprofundam mais na história de Tracy, um desertor do exército norte-americano, que agora segue “pagando as dívidas” de seu falecido irmão. Para isso, ele trabalha como assassino para o maior mafioso da cidade, o Sr. Hyde. Sua nova missão é descobrir quem está por trás de uma série de mortes de pessoas “intocáveis”.

Neste arco, vamos acompanhar o protagonista lidando com dúvidas morais sobre seus novos hábitos, um relacionamento proibido e as consequências de ser um desertor. Tudo isso em um ambiente cruel e de extrema degeneração humana, em que não há finais felizes. Mesmo com vários estereótipos do gênero, Criminal: Os Pecadores é uma grande experiência de leitura pela capacidade dos criadores em fazer a história parecer crível, em traçar personagens tridimensionais e convincentes.

Os desenhos de Sean Phillips dão vida com maestria à atmosfera noir da série. Os elementos visuais são bem trabalhados pelo quadrinista, seja na expressividade dos personagens, nas sombras ou até mesmo nos detalhes mais “sujos” das cenas. A arte de Phillips sublinha o roteiro envolvente.

Criminal é aquela série difícil de desagradar, ainda mais para quem gosta de histórias de crime. Mais um volume que te mantém vidrado da primeira à última página.

Publicado em

Um Fim de Semana Ruim

De Ed Brubaker e Sean Phillips
72 páginas
Mino | 2022
Tradução: Dandara Palankof

Em Um Fim de Semana Ruim, Ed Brubaker e Sean Phillips trazem um olhar cínico sobre a indústria da nona arte. Uma história sombria sobre um consagrado quadrinista que vai passar o fim de semana em uma convenção de quadrinhos na década de 1990.

Orgulhoso e amargurado, Hal Crane é totalmente desiludido com o mercado de quadrinhos, ao ponto de falsificar suas próprias artes para ganhar dinheiro. Para acompanhá-lo na Gibi Fest, convenção onde vai receber uma homenagem pelo conjunto de sua obra, ele quer a companhia de seu ex-assistente, Jacob Kurtz. Mesmo tendo péssimas lembranças de seu período trabalhando com o lendário quadrinista, Jacob decide aceitar o convite. E é ele quem vai narrar essa história, ou seja, ele será a tradicional voz que acompanha o leitor nas HQs da dupla.

Através da trama que, aos poucos, vai revelar as verdadeiras intenções de Hal Crane, Brubaker aborda a precariedade das condições de trabalho dos quadrinistas. Assim como as frustrações, a vaidade, a hipocrisia, o ambiente tóxico e outros aspectos sujos deste universo. E, por mais que seja uma história fictícia, o contexto real: temos nomes conhecidos e uma ambientação identificável. Conseguindo fazer tudo parecer verossímil.

Mesmo sendo um quadrinho curto, você não sente urgência devido às poucas páginas. Está tudo ali, de forma dinâmica e fluida. A construção do enredo não nos cativou da mesma maneira que outras obras da dupla. No entanto, o final é surpreendente.

Não poderíamos deixar de destacar como o universo de Criminal é bem arquitetado pelos autores. Jacob Kurtz é um personagem já trabalhado na série e acompanhar esse “intercâmbio” de elenco é o principal charme desta antologia.

Apesar de ter nos empolgado menos do que de costume, Um Fim de Semana Ruim é um ótimo quadrinho e tem bons momentos. Felizmente, até quando Ed Brubaker e Sean Phillips fazem algo aquém do habitual, o resultado é uma obra divertida e acima da média.

Publicado em

Criminal – Noite de Azar, Vol. 4

De Ed Brubaker e Sean Phillips
128 páginas
Mino | 2022
Tradução: Dandara Palankof

Noite de Azar traz aquele estilo de história cuja vida do protagonista é virada de cabeça para baixo. Jacob Kurtz é um viúvo, que por muito tempo foi o principal suspeito da morte de sua esposa. Agora, ele é o responsável por uma tira policial no jornal da sua cidade, no entanto, depois das acusações, mesmo inocentado, Jacob nunca mais foi o mesmo.

A dupla Ed Brubaker e Sean Phillips apresenta mais uma ótima trama centrada em um protagonista atormentado, vítima do destino. Kurtz acaba se envolvendo com a femme fatale Iris, o que o leva para um violento caminho sem volta, especialmente por redescobrir coisas sobre seu passado que aparentemente estav—am superadas. Por fim, tudo o que você espera de uma boa história noir, irá encontrar neste volume.

Já cansamos de dizer em nossos comentários sobre Criminal o quão impressionante é Brubaker na criação de seus personagens, eles são humanos, são miseravelmente reais. E, claro, você nunca vai deixar de se surpreender com seus roteiros bem construídos, recheados de reviravoltas e ótimos diálogos. Mesmo quando parece uma história já vista várias vezes.

Noite de Azar não é o melhor volume da série até aqui. Na verdade, oferece tudo aquilo que já vimos antes. Mas mantém o altíssimo nível dos trabalhos dos autores, o que na nossa visão continua sendo um entretenimento indispensável para os fãs do gênero.

Publicado em

Reckless, Vol.1

De Ed Brubaker e Sean Phillips
144 páginas
Mino | 2022
Tradução: Dandara Palankof

O início da série Reckless, de Ed Brubaker e Sean Phillips, tem a receita clássica de seus outros trabalhos: crimes, protagonistas em conflito interno, ambiente sujo e muita violência. O resultado é, como de costume, uma história alucinante. No entanto, aquém dos outros trabalhos da dupla, que tem um padrão de qualidade altíssimo.

Na história, acompanhamos Ethan Reckless, um ex-agente do FBI, que agora trabalha resolvendo problemas de pessoas que não podem recorrer às autoridades. Assim, Ethan cobra dívidas, localiza desaparecidos, recupera objetos roubados, e atividades do gênero. Com quatro volumes publicados, até o momento, a série mostra, em cada edição, o protagonista lidando com problemas diferentes, em tempos diferentes. Ou seja, cada graphic novel traz uma história fechada, sendo assim, pode ser lida de maneira independente. Mesmo que todas façam parte de uma história maior.

Se você já leu alguma colaboração desta dupla, conhece a habilidade de Brubaker de escrever histórias envolventes, sem precisar de recursos mirabolantes. Aqui, não encontramos um enredo muito diferente dos que já tínhamos visto do autor. Apesar de todos os elementos comuns da dupla estarem em Reckless, a série não soa repetitiva. Muito pelo contrário. É impossível largar depois de iniciada a leitura. Porém, hoje, com tantas obras do roteirista publicadas no Brasil, é natural fazer comparações. Sentimos que a série não tem a mesma complexidade vista em outros livros, diferente de “Criminal”, por exemplo, que é uma saga no mesmo formato.

Phillips está em um momento incrível, em Reckless, e parece ficar melhor a cada livro, afinal esta é uma obra mais recente da dupla. Os cenários, figurinos e toda ambientação são impecáveis e, claro, ele sabe conduzir uma história visualmente como poucos. Vale destacar também o trabalho de cores de seu filho, Jacob Phillips.

O padrão de qualidade de Ed Brubaker e Sean Phillips é tão alto que, até uma obra de menos impacto, em relação aos seus outros títulos, é ainda uma ótima experiência de leitura. Certamente você não vai encontrar uma história original aqui, mas vai encontrar uma muito bem executada, tensa e emocionante.

Publicado em

Pulp

De Ed Brubaker e Sean Phillips
80 páginas
Mino | 2021
Tradução: Dandara Palankof

Um excelente ponto de partida para as histórias de Ed Brubaker e Sean Phillips no Brasil. Pulp é uma obra que corresponde às expectativas criadas pelo início das publicações dessa dupla no país e não poderíamos estar mais satisfeitos em dizer que tudo o que foi dito sobre essa parceria é verdade.

Western é um gênero difícil de inovar e surpreender e, de fato, não há nada de inédito no quadrinho. Porém, não se engane, o que faz esta HQ ser uma leitura tão apaixonante é a construção de sua história. Pulp tem um desenvolvimento invejável, sobretudo pela autenticidade no texto dramático e violento de Brubaker. É impressionante como o autor nos prendeu com sua narrativa cinematográfica que, mesmo com poucas páginas, é coesa e bem montada, sem soar apressada em momento algum.

A trama acompanha Max, um escritor de revistas pulp do final da década de 1930, em Nova York, que está chegando ao fim da vida. Suas histórias são inspiradas em seu passado como fora da lei, mas elas não têm rendido bons frutos como outrora. Agora, enfrentando problemas financeiros e, ainda, sofrendo com sua saúde, Max pretende reviver essa vida passada para deixar sua esposa com uma situação mais confortável financeiramente, depois que ele se for.

Um quadrinho que concentra sua intensidade nos detalhes. Uma obra que alia os desenhos incríveis de Sean Phillips, com o texto arrebatador de Ed Brubaker, Pulp é aquela HQ em que o desfecho provoca o desejo imediato de uma releitura.

Publicado em

Matar ou Morrer, Vol. 1

De Ed Brubaker e Sean Phillips
128 páginas
Mino | 2021
Tradução: Dandara Palankof

Uma experiência e tanto! O primeiro volume de Matar ou Morrer mostra onde uma pessoa mentalmente instável e sem qualquer perspectiva de vida pode chegar. Ed Brubaker e Sean Phillips criam uma trama envolvente de crime e terror que, ao primeiro olhar, pode não ser das mais criativas. No entanto, a forma como o roteiro é exposto e a estrutura narrativa tornam esta HQ uma obra diferenciada.

Seguimos a história de Dylan, um homem de 28 anos, infeliz com a vida que tem levado. Depois de uma tentativa fracassada de tirar a própria vida, um demônio aparece e o avisa que salvou sua vida. Diante desta “segunda chance” que lhe foi concedida, como forma de “pagamento” a essa entidade sobrenatural, ele é orientado a matar uma pessoa por mês. Uma vida que merece morrer. Caso não faça isso, é ele quem será morto.

Brubaker tem um texto afiado que fisga o leitor rapidamente. Os diálogos, a quebra da quarta parede, o ritmo, toda estrutura narrativa é muito bem feita. Porém, o autor se destaca mesmo é na construção do personagem. Quanto mais a história avança, menos Dylan mostra decência, e mais obcecado pelo crime fica. O protagonista vai desenvolvendo uma personalidade fria e doentia, sem contar que continua com seus transtornos mentais, o que nos faz questionar o que, de fato, é real.

Assim, temos um vigilante pelas ruas de Nova York que só mata “vilões”. Um personagem interessante, com uma personalidade densa, que nos faz questionar a todo instante as questões morais daquilo tudo. Além disso, a arte de Sean Phillips é perfeita para o clima obscuro da HQ, com um ótimo uso das sombras.

Ao final, além das discussões sobre o certo e o errado, fica no ar perguntas sobre as motivações do protagonista. Será que o demônio realmente existe? Ou Dylan estava tão perturbado que está usando essa figura enigmática para justificar seus atos? Uma coisa é certa, temos aqui um jovem assustado, causando sofrimento a todos ao seu redor, eles merecendo ou não.