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Black Science (SÉRIE COMPLETA)

De Rick Remender e Matteo Scalera
Série completa: 1.192 páginas (Vol. 176 páginas; Vol.2 136 páginas; Vol.3 136 páginas; Vol.4 224 páginas. Vol.5 248 páginas e; Vol.6 272 páginas)

Devir | 2019 – 2023
Tradução: Kleber de Sousa e Giovana Bomentre

Composto por 6 volumes, na edição brasileira da editora Devir, Black Science é um grande drama familiar. Nesta série de Rick Remender e Matteo Scalera, a fantasia e a ficção científica se misturam para contar a história das tentativas desesperadas de um homem para salvar a sua família. Uma leitura que, por vezes abusa, da repetição e da complexidade do enredo. Mas que, apesar disso, prende a atenção o tempo todo, e tem um desfecho corajoso e sombrio.

O cientista genial Grant McKay é contratado para criar um portal capaz de visitar dimensões paralelas. Uma iniciativa que busca, através de viagens interdimensionais, recursos e descobertas científicas a ponto de “salvar” este mundo. Porém, logo na primeira viagem, nem tudo corre como o planejado e McKay e sua equipe ficam presos nessas realidades alternativas, sendo jogados de uma para outra. Ao longo dessas seis edições, vamos acompanhar os personagens tentando retornar para o seu universo de origem.

À medida que a história se desenrola, é possível perceber que o elemento científico é “apenas” um cenário para Remender falar sobre aquilo que realmente deseja: uma família disfuncional. Apesar da grande variedade de personagens e de suas versões, a trama é centrada em Grant McKay. Ele é o protagonista e antagonista da série. Esse comportamento autodestrutivo é um dos pontos altos da HQ. Remender fala muito sobre as escolhas que uma pessoa pode fazer, assim como sobre destino e responsabilidade. Mesmo disposto a ser diferente em outra dimensão, ele não consegue mudar a sua natureza.

De certa forma, a obra perde força em sua segunda metade, mesmo mantendo o leitor curioso. O que funciona tão bem a favor, também é seu principal obstáculo: a ambição. O enredo se estende demais e vira uma repetição de suas próprias fórmulas. Matteo Scalera contribui com uma arte bem estilizada, realçada pelo trabalho de cores de Dean White. Scalera está muito à vontade na criação dos universos da série.

Mesmo com um desenvolvimento que se estende mais do que deveria, Black Science tem um conceito interessante e ótimos momentos. E o principal, segue firme a essência: ser um drama familiar em forma de aventura.

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Tokyo Ghost

De Rick Remender, Sean Murphy e Matt Hollingsworth 
272 páginas
DarkSide Books | 2019
Tradução: Érico Assis

Sabe aquele quadrinho que poderia ser muito melhor? Tokyo Ghost nos passou essa sensação. Com roteiro de Rick Remender, a obra publicada pela Darkside Books não chega a ser abaixo da média, porém tinha potencial para ser muito melhor caso se desenvolvesse de maneira mais clara e objetiva a história.

Com uma trama de amor num futuro onde a humanidade é viciada em tecnologia, Tokyo Ghost acompanha Debbie e Led, um casal de assassinos que recebem uma missão de destruir o último país que ainda não se rendeu ao mundo digital. O maior mérito desse quadrinho é sem dúvida alguma sua belíssima arte. As ilustrações de Sean Murphy e as cores de Matt Hollingsworth são impecáveis e nos transporta para as cenas de ação com muita facilidade. Mas se o visual é de tirar o fôlego, o mesmo não se pode dizer do roteiro, que é mediano. O início confuso e o desenvolvimento da história fazem deste aquele tipo de gibi em que é difícil chegar ao final.

Após uma espera recheada de muita expectativa, Tokyo Ghost não atendeu nossos anseios, infelizmente. Uma obra com críticas afiadas ao consumo desenfreado de tecnologia e mídias sociais, mas que é muito pouco frente ao que poderia ser.

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Seven to Eternity, Vol.1

De Rick Remender, Jerome Opeña e Matt Hollingsworth
128 páginas
DarkSide Books | 2020
Tradução: Érico Assis

A ideia apresentada em Seven to Eternity Vol.1: O Deus do Sussurro, de Rick Remender e Jerome Opeña, é bem interessante, mas a introdução da história é complicada e pode afastar leitores impacientes. O roteiro tem um início confuso e apressado, com muita coisa acontecendo e sem grandes explicações. Na verdade, somente ao final do livro que entendemos melhor a história e percebemos o quão promissora a série é.

Em uma mistura de fantasia e ficção científica, Remender cria um universo rico, recheado de magia, com um governante opressor, rebeliões, política e muita ação. Ao mesmo tempo em que visualmente a história é tão distante do nosso mundo, ela conversa muito com a nossa realidade. O desenvolvimento do roteiro não é dos melhores, na verdade, como já dissemos, o início é muito “jogado”. O leitor pode até se assustar com a quantidade de informações precipitadas que recebe ao mesmo tempo. E, claro, não foi diferente para a gente, a leitura demorou a engrenar.

A arte de Opeña é um espetáculo. Suas ilustrações são bonitas e valorizam a ambientação do ousado universo criado por Remender. Sem dúvidas, sua arte é o principal destaque deste primeiro volume.

Esperávamos mais? Sim. Vamos continuar? Com certeza. Seven to Eternity tem uma proposta promissora e é uma série que aguardávamos muito. Até porque, quando as coisas começaram a ficar nos trilhos, a edição acabou. Publicado no Brasil pela DarkSide Books, a série será finalizada em quatro encadernados.