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Gotham City: Ano Um

De Tom King, Phil Hester e Jordie Bellaire
192 páginas
Panini Comics | 2023
Tradução: Leonardo Camargo – ‘Kitsune’

Em Gotham City: Ano Um, Tom King explora a origem da cidade antes da chegada do Batman. Conhecemos muito daquele universo, seus mitos, mas pouco sobre sua origem. Como Gotham passou de uma das cidades mais seguras e prósperas dos EUA para um local devastado pela criminalidade e corrupção? Em um thriller noir quase independente da mitologia do Homem-Morcego, King cria uma história de reviravoltas e traições, com questões sociais e raciais pungentes.

Década de 1960. O detetive particular Slam Bradley recebe uma visita misteriosa e uma missão: entregar um envelope a Richard Wayne. Ao fazer seu trabalho, ele descobre que Helen, a filha recém-nascida de Richard e Constance — os avós de Bruce — foi sequestrada. Arrastado para essa investigação, Slam vai atrás de respostas, até como forma de salvar sua pele, já que é apontado como um dos suspeitos. Um ataque direto à família símbolo de Gotham, também é um ataque à cidade.

À medida que vamos acompanhando essa investigação, conhecemos uma Gotham por trás das aparências. Uma cidade que abriga tensões sociais e raciais. Questão racial essa que é muito presente no enredo da HQ. O protagonista é filho de mãe negra, mas sua pele é clara o suficiente para que tenha sempre se passado por um homem branco.

Narrado pelo próprio Slam “do futuro”, já idoso, a trama tem como principal destaque a forma de ir além dos elementos familiares das histórias do Batman, ao mesmo tempo em que encaixa referências desse universo que arrancam um sorriso de quem é fã. É uma leitura que funciona de maneira independente, já que as alusões ao cânone do personagem não alteram a compreensão do quadrinho.

O desenhista Phil Hester e a colorista Jordie Bellaire formam uma equipe formidável, sem medo de brincar com alguns painéis e fazer páginas de uma brutalidade impressionante, Aliás, o visual combina muito com o tom noir da obra.

Gotham City: Ano Um brilha não só por trazer um mistério convincente que te envolve ao longo de toda leitura, mas também pela forma orgânica que entrelaça com a mitologia do Batman. Uma HQ recomendada para todos os leitores, independente se tiveram ou não contato com as histórias do herói.

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Family Tree, Vol.1

De Jeff Lemire, Phil Hester, Eric Gapstur e Ryan Cody 
96 páginas
Intrínseca | 2021
Tradução: Fernando Scheibe 

Depois de ler tantas HQs de Jeff Lemire, você começa a identificar elementos comuns em suas histórias. E não estamos falando de os personagens soarem humanos, nem dos dramas familiares. Aqui, estamos falando da repetição de fórmulas do próprio autor. Esse foi o sentimento que ficou após a leitura do primeiro volume de Family Tree. Um conjunto do que já deu certo nas obras de Lemire, numa trama de ritmo frenético e sem uma premissa tão instigante como dos seus outros trabalhos.

Aqui, o autor cria seu mistério em torno de uma criança que está se transformando em árvore e, agora, precisa fugir com sua família de uma “seita” que quer aparentemente matá-la. O álbum é curto e o ritmo é alucinante, não há espaço para desenvolvimento do personagem, muito menos para se apegar a alguém da história. Quanto à arte, Phil Hester cria um bom cenário de terror, mas seu traço não nos encantou tanto, achamos muito grosseiro.

É difícil dizer se teremos uma boa história ou não, ainda é muito cedo para cravar onde essa trama vai nos levar, mas, sem dúvidas, Family Tree não é uma HQ que nos empolgou de imediato. Com mais volumes pela frente, o que nos dá esperanças, é a confiança em saber que Lemire é um autor acima da média.